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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Interlúdio

(Um pouco antes da história).

Kiwi parou e ergueu o focinho para conferir o cheiro dos lobos que haviam raptado Lola. Certa mudança por causa do vento, mas nada que confundisse seu olfato. Caminhou de um lado para o outro, impaciência em crescendo. A perseguição fora incessante por mais de 1.131 km de acordo com os cálculos de Alfajor, o coelho branco e gorducho que trabalhava como chef no Bosque Amarelado. Kiwi olhou para a Srta. Caixa-de-Suco, ofegante e exaurida. Gostaria de falar que estavam próximos do objetivo e que em breve retornariam para casa, mas não podia.

- Vamos, o cheiro deles está forte, não devem estar longe. – disse no tom mais confiante que podia fingir.

Srta. Caixa-de-Suco aproximou-se e, sem esconder sua irritação, disse:

- Por que eu não acredito em você?! Você tem dito a mesma coisa desde o momento em que saímos de casa, passamos por cachoeiras, florestas e vales espinhosos e não ficamos nem um pouco mais perto, Kiwi. Cada pedaço quer se soltar do meu corpo.

- Tenha fé. Nós estamos muito pertos agora. Confie em mim, sei o que estou fazendo.

Srta. Caixa-de-Suco o empurrou e respondeu:

- Se eu pudesse voltar no tempo, eu não estaria aqui, estaria no bosque, tomando um ótimo suco de cenoura na minha toca quente e mobiliada. E não aqui! Eu odeio dormir a céu aberto, na grama suja. Odeio até você no momento.

- Eu não pedi sua companhia, você foi a primeira pessoa a se oferecer para vir, prima. Quer ir embora? Pois bem, vá… Será uma longa estrada para casa. Mas eu irei salvar a Princesa Lola.
Alfajor entrou desajeitadamente no meio e disse:

- Não briguem. Estamos cansados e isso não vai nos ajudar, temos que salvar a princesa. Esse é o nosso objetivo. Já passamos por coisas mais complicadas.

- Eu não quero brigar com esse cabeçudo. – disse Srta. Caixa-de-Suco – Só quero matá-lo da forma mais lenta e dolorosa possível.

Kiwi virou as costas e continuou a caminhar sem cair na provocação da outra, que seguia em silêncio ao lado de Alfajor. Sentia todos os músculos retesados, as pernas pesadas e as pálpebras caindo. Recusava-se a desistir. Deixou que a lembrança do Bosque Amarelado e das duas estradas que o circundavam viesse à tona. Os dias que passara com Lola perto do lago onde os cisnes faziam suas reuniões mensais – com seus relatórios cheios de números. E principalmente o dia em que ela aceitara namorá-lo, o mesmo em que fora sequestrada. Quantas estradas ele deveria percorrer, antes de finalmente abraçá-la? Não importava. Iria tanto pela mais tumultuada quanto pela menos viajada e isso faria a diferença.


Texto: Jim Anotsu


Lambido de Quotidianos

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Lobisomens: História



Noite alta, sem estrelas, vento forte e uma chuvinha fina sobre a pequena e deserta cidade. Um homem caminha depressa pelas ruas mal-iluminadas. De repente, ele para. Atento, parece escutar melhor algum ruído distante. Ou... próximo demais. Sente que alguém, ou alguma coisa, está perto. Vigiam-no. Ansioso, apressa o passo. 

Mas, quanto mais rápido caminha, maior é o pavor que toma conta da sua alma. Olha para trás. Não há nada na rua vazia. Tropeça na calçada e cai. Levanta-se sujo de barro e, completamente apavorado, começa a correr o mais que pode. O coração parece querer sair pela boca. Tem certeza de que algo o persegue. E, na esquina escura, vê o vulto.

A visão é rápida, mas o suficiente para eriçar os cabelos da nuca. Com um arrepio na espinha, congelado de pavor, ele ouve um rosnar. É o Lobisomem! Ele sente que está prestes a tornar-se vítima da fera. Entra em pânico, grita por socorro e procura um refúgio, rezando e chorando pelo Divino. Inutilmente.

Quando percebe, está encurralado diante de uma cerca ou um barranco. Não importa. De joelhos, olhos cheios de lágrimas, em soluços, ele vê a criatura surgir da escuridão. Rosnando, dentes à mostra, a besta caminha vagarosamente em direção da presa. O homem sabe que está indefeso. Um bote, uma só dentada. Direto no pescoço. Carótida em frangalhos, a vítima jaz prostrada. Sobre ela, refestela-se em sangue o Lobisomem.

Depois, meio bicho meio gente, a fera parte em desabalada correria. Tudo que se move, homens ou animais, é atacado. Até que, ao primeiro cantar do galo, saciada sua sede, o Lobisomem retorna ao lugar da transformação. Lá, vagarosamente, vai reassumindo sua condição humana. A fera volta a tornar-se homem. Um homem cansado, com cotovelos e joelhos ensopados de sangue. Um homem solitário que se recolhe nessa condição à espera da próxima noite de quinta para sexta-feira, quando ocorrerá outra transformação.

A exemplo da Mula-Sem-Cabeça, um ferimento que derrame o sangue do Lobisomem quebrará o encanto. Dizem que o Diabo aparece nessa hora e lambendo o sangue da fera, considera cumprida a sina do infeliz, liberando-o da maldição. Outras versões afirmam que o Lobisomem se cura da maldição ao sugar o leite do seio de uma mulher.


Origem da Lenda

A origem da lenda do Lobisomem remonta à Grécia Antiga. Espalhada pela Europa e América, a lenda do Licantropo Grego, do Versiopélio de Roma, do Loupgarou Francês, do Werwolf ou Werewolfe Saxão, Obototen Russo e Lobisomem Espanhol ou Português é uma das mais populares do mundo.

Características exclusivas do Lobisomem brasileiro são difíceis de definir, mas permanece digna de nota a facilidade de identificação da fera em seu estado normal, como homem. Nesses casos, apresenta-se como alguém muito magro, de pele clara e aspecto doentio de pessoa anêmica, que precisa de sangue para sobreviver.

Em geral, a sina é uma questão de sorte. Nasce-se Lobisomem, bastando para isso ser o sétimo filho homem. Em algumas regiões, este ser é resultado de uma ligação incestuosa; e a fatídica bala embebida em cera de vela santificada é um aspecto digno de observação, como forma de abater a fera.

As várias formas adquiridas – de homem-lobo, homem-cão, homem-porco, homem-bezerro, etc. – nos remetem à África, onde as transformações dos homens nos mais variados animais aparecem registradas por todo o continente. A lenda do Lobisomem não é, como tantas outras, genuinamente brasileira, mas merece estar aqui como uma das mais populares do país.


Lambido de DANA

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Lobo e Mausoléu


LOBO

Por mais habituados ao escuro que sejam meus olhos, este beco imundo me oprime em sua total ausência de luz.

Estou aqui escondido, aguardando por quem sabe uma vítima ou um inimigo. Mesmo com o fedor nauseante e onipresente em meio ao lixo, qualquer corpo quente e pulsante seria percebido por mim em segundos.

Mesmo tendo sido criado dentro dos padrões normais da fina educação de minha classe social, estes meus sentidos altamente desenvolvidos fazem a diferença de minha personalidade, alterando a todo instante meus rumos pela vida.

Meus pais, ao me expulsarem de sua casa ainda um garoto, imaginaram talvez que eu encontrasse a morte nas ruas, livrando assim a sociedade do empecilho que eles mesmos haviam gerado.

O primeiro corpo que tomei como alimento foi deplorável. Um bêbado imundo, com todos os gostos de todos os vícios humanos me fez sentir uma variação enlouquecida de sabores. Sabores que odiei e que me fizeram pensar que talvez esse não fosse o alimento necessário para minha vida.

Noites após, zonzo de fome e necessidade, uma prostituta jovem e recém-saída de seu apartamento da zona do meretrício, tão criança que me parecia sentir ainda o cheiro do leite de sua mãe, fora a melhor refeição que já houvera conseguido. Tenra, com um sangue doce e suave como se fosse vinho das melhores safras. Servi-me de seu sangue aos goles. Banquete ensandecido de carne crua e quente.

Fiz muitas vítimas desde então. Brancos ou negros, mulheres ou crianças, católicos ou judeus. Experimentei de todos e por cada um deles tenho uma preferência distinta. Como se a cada um comesse por hábito, afetasse o sabor de suas carnes.

Mas hoje não busco ser um gourmet. Quero apenas carne em forma de fast-food. Tenho fome e quando fico neste estado não ouso escolher.

Perdido em meus pensamentos, quase perco a chance de uma vítima. Ela andava apressada, coberta por um sobretudo que lhe escondia totalmente o corpo. A chuva que começara naquele instante cobria meu corpo nu com uma gelada camada de vapores.

Ataquei-a pelas costas, buscando quebrar seu pescoço. Desequilibrada mas ainda consciente, ela gritou, um grito mudo que ficou guardado em sua garganta que eu iria estraçalhar. Em seus lábios vi claramente se formar um nome que não ouvia há muito tempo. O meu nome.
Sim, eu a reconheci e ela me reconheceu. Minha mãe humana estava ali, esperando por mim como um prato de velhas recordações.

Sem esperar mais, mordi e rasguei seu corpo, até o momento em que ouvi a última batida de seu fraco coração. Ela não deveria ter usado meu antigo nome, pois hoje me chamo Lobo e me alimento de pobres humanos desavisados que insistem em passar em meu caminho. Mas posso me chamar Misericórdia, mamãe, e, assim, livro inúteis como a senhora dessa vida inútil.
Comi tudo, mamãe. Não sobrou nada. Só não consegui comer seus olhos, que insistem em me fitar, mudos.

(Autoria de David Nóbrega - Livro Uns e Outros - 2008)

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MAUSOLÉO

Estoura o peito semi - árido,
... Com gotas em falsete de um grito longo e cálido...
Deitada no casco das pedras hoje,
Imaginando colcha de retalhos.

De forma débil,
Anda de quatro riscando o soalho...
Vê na parede mofada os retratos antigos trocados,
... Inflamação cerebral...
Loucura furiosa invadindo almas para viver no passado...
... Vezes brinca de arrastar algemas nos quartos,
Mas por hora prefere olhar crianças pendurada de ponta - cabeça nos galhos.

Misturada ao antigo cimento da matéria,
Provoca explosões nos canos...
Há cinco décadas desabitada,
A casa vive das lembranças da moça pálida.

Fez da sua antiga morada,
Um mausoléu encantado...
"Nana" bonecas nunca menstruadas...
Faz uso de cantigas esquecidas
Arcaizadas,
... Não tem pulsos para cortar...
Carrega na boca o gosto do suco acerejado de décadas atrás.

Preenche a casa,
Alma penada
E fica a janela...
Preservando sua paz...
Espreitando invasores.

... Ali eternamente ela jazz ( e Jaz)

( Autoria de Letícia Coelho - Ensaios Amadores... Ou não! - 2008)

Lambido de Scriptus Est

terça-feira, 22 de maio de 2012

O Verdadeiro Lobisomem


O Especial


Um renomado zoólogo, especialista em lobos e ex-agente do FBI viaja pela Europa para investigar o misterioso caso do Lobisomem, uma criatura desprezível que se transforma de humano em lobo e assassina brutalmente quando é lua cheia. Explorando a mitologia e o folclore destes seres, veremos que eles estão ligados a práticas estranhas e ocultas, a enfermidades que transformam homens em animais e a histórias extraordinárias, porém verdadeiras, de crianças criadas por lobos. Mas serão a ciência e a tecnologia forense de última geração que nos conduzirão à verdade escondida por trás de séculos de relatos de assassinatos por lobisomens.

Via History Channel

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O Último Lobisomem


Sinopse
Uma última lua cheia – então, tudo terminará.

Jake Marlowe é um lobisomen. Lobisomens existem, mas a maldiçao - o vírus que infecta os humanos e os transforma em lobo – está extinta. Jake é o último de sua espécie. Ele perdeu a vontade de viver, de lidar com seus fantasmas, de ouvir as vozes daqueles que matou para aplacar suas necessidade. Não há Deus ou Inferno, só a existência, a luta para sobreviver. E há, é claro, a fome do Lobo que vive em seu interior e que o domina. Durante duzentos anos, Jake vagou pelo mundo, escravizado pelo poder arrebatador da Lua e atormentado pela memória de seu primeiro e mais monstruoso crime. Agora,  ele se tornou a presa de um grupo de caçadores de seres sobrenaturais. Sua morte virá em breve. E ele deseja isso, pois sabe que não pode mais seguir em frente.

Mas enquanto Jake aguarda o fim, sua última Lua Cheia, um assassinato violento e um encontro extraordinário fazem-no retomar sua busca desesperada pela vida – e, para sua surpresa, pelo Amor.

The Last Werewolf
Glen Duncan
Editora Record
Tradução: Marcelo Schild
Ano: 2012
Páginas: 334

O Retorno do Arcanjo


Assim como fui, estou voltando, sem muitas explicações, mas estou de volta ao blog. Algumas pessoas talvez precisem de algum esclarecimento sobre essas idas e vindas... É complicado, pessoal, envolve muita coisa... Então, apenas voltei! Estou renovado agora, mais tranquilo, mais calmo, mais ciente das coisas... E nessa próxima frase só uma pessoa vai entender: “Vai ficar tudo certo dessa vez, não se preocupe, não tema, me vigie se for preciso... Mas confie no que eu vou fazer, tá certo?

Considerações Finais

O Blog manterá a linha de postagens, fico feliz que com minha saída a nossa colaboradora L. tenha se mostrado mais participativa no blog, seus posts ficavam cada vez melhores e os leitores não ficaram sem informações durante minha ausência.

Agora que estou voltando, vou tentar manter as postagens diárias e agradeço aos leitores, ao meu amigo Eduardo “Lobístico” que sempre deu apoio ao meu retorno, ao Alfer Medeiros do Fúria Lupina e informo... DeLuah... Tá faltando você voltar viu!

Abraço do Arcanjo Lycan
Gabriel D’Amorim

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Resenha: Sangue e Chocolate



Sinopse:
Vivian é uma jovem lobisomem descendente de uma linhagem de líderes, que se apaixona por um humano ameaçando a identidade e os segredos do seu povo para sempre. Agora, ela deverá cumprir uma profecia para proteger sua espécie ou enfrentar a ira daqueles que carregam nas veias seu próprio sangue.

Resenha:

Sangue e Chocolate é um filme feito pelo mesmo diretor de Anjos da Noite e O Chamado. É um filme muito bom, mas perto desses dois filmes que o diretor fez é mais fichinha.
            Conta a historia de Vivian, uma loup-garou. Os loup-garous existiam a séculos na cidade de Maryland, mas para ser um você tem que nascer loup-garou, tem que fazer parte da alcatéia, se ganhar uma mordida vai ficar é com um pedaço de carne a menos e nada mais. Vivian é jovem e ganha a vida trabalhando numa loja de chocolates na cidade, adora ser uma loba, mas depois da morte de seu pai o antigo líder prefere ficar um pouco longe da matilha, já que os lobos vão contra os seus princípios. Vivian quer ser livre e não gosta de matar, gosta de ler loba em si por ter mais agilidade, passa boa parte do tempo correndo na cidade e nunca deixa de entregar nenhum chocolate nas casas pedidas.

            Gabriel será o novo líder, ele ficou sete anos com sua mãe e agora é a hora de líder e escolher uma nova esposa por tradição, Vivian é a loba mais jovem e solteira do grupo, então por ser uma bela fêmea nunca que o garanhão do Gabriel iria deixar isso passar, mas a menina tenta ficar longe dele o máximo possível, pois não aceita nenhum pouco as regras da alcatéia. Vive mais entre os humanos do que entre sua verdadeira vida.
            Agora a garota conhece o romântico Aiden, uma rapaz muito pra lá de diferente da sua família, então se apaixonam e isso é claro, gera um problema.Vivian por tradição será de Gabriel e Aiden é só um humano que não devia atrapalhar em nada, Vivian tenta deixar Aiden fora disso, mas não resiste ao chame romântico dele. Gabriel ordena que seu filho o mate, um filho mimadinho que me irrita muito no filme, o legal é que Aiden pode ser um humano, mas tem lá seus truques para se defender.

            O filme é extremamente evolvente, é ótimo por quebrar a regra da garota quietinha e boba, Vivian é forte e autoritária, típico de uma verdadeira loba. É um filme muito bem dirigido, claro... Esse filme eu vi a uns dois anos, quando meu professor favorito de guitarra me emprestou e eu fiquei com vontade de ler o livro, acredita que os @#$@#*& só traduziram pra português esse ano? E com o preço lá em cima U^U’ ... Desculpem a indignação no final, haha. Obrigado por lerem, até outra resenha.

terça-feira, 3 de abril de 2012

São Brás... Lobos e outros Animais Selvagens

Sempre que pensamos em São Brás, lembramos da sua “benção as gargantas”, mas poucos realmente sabem de suas “conversas com Lobos”. Existem milhares de lendas extraordinárias ao redor deste santo homem que no auge de sua vida terrena, foi muito mais do que uma simples “lenda”, mas sim um grande herói em sua fé em Cristo.

Hoje temos São Brás como um bispo do séc III que depois de passar por terríveis tormentos, entregou sua vida à fé. Como já dito, boa parte de sua vida foi tida como uma lenda, para assim atribuir ao santo uma visão mais espiritual, no entanto, sabemos que ele sempre foi um homem milagreiro.

Há uma lenda sobre São Brás que mostra que seu carinho ia muito além dos homens cristão. Diz-se que uma mulher testemunhou o momento em que seu leitão foi levado por um lobo e foi diretamente a São Brás retratar deste triste fato. São Brás foi até o Lobo e exigiu o retorno do leitão à sua dona, alertando ao animal sobre as penalidades que um ladrão poderia sofrer. O lobo então devolveu o leitão à mulher e ao santo foi atribuído o poder de persuasão dos animais.

Posteriormente, quando São Brás foi preso, essa mesma mulher e o lobo foram prestar auxílio ao homem santo, alegando que ele fez com que o animal compreendesse o ato delituoso.

Por seus atos santos, São Brás foi incluído na lista dos Quatorze Santos Auxiliares, homens e mulheres santos que são intercessores de todos os tipos de doenças e loucuras que podem acometer aos viajantes.

Brás foi  preso por refugiar-se numa caverna, cuidando de animais selvagens e levado preso por caçadores; torturado e decapitado por não negar à Cristo. Em suas últimas palavras disse: “... embora eles queiram matar-me... Confiarei em Ti!

São Brás é Padroeiro dos animais selvagens, dos Veterinários e protetor das enfermidades de garganta. Sua festa é celebrada no dia 03 de Fevereiro.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Escuridão (Darkness)

Sonhei e não era propriamente um sonho.
O sol se apagara, as estrelas vagavam opacas no espaço eterno.
(Perdidas, não cintilavam mais)

A Terra, gélida e cega, oscilava obscura no firmamento sem luar;
Lampejos abriam as trevas, mas o dia não retornava.
Apavorados, seres humanos abandonavam suas paixões.

Naquela devastação e percorridos por calafrios, desunidos corações,
- em egoísta prece – clamavam pela claridade.
Súditos e reis ocupavam o mesmo lugar,
Palácios e choupanas crepitavam em imensa fogueira;
Cidades inteiras foram destruídas.

Ao redor de suas moradas em chamas, os homens se entreolhavam.
(Ah, viver no interior das crateras dos vulcões!)
O mundo em convulsão;

Florestas abrasavam em trincados e estrondos de troncos.
(No infinito, o negrume.)
Cadáveres brotavam na superfície,
Relâmpagos cortavam o tétrico cenário.

Alguns ocultavam os olhos horrorizados, em pranto;
Alguns apoiavam o queixo nas mãos, num esgar patético,
Outros andavam numa e noutra direção ateando fogo ao monturo funéreo;
Sondavam enlouquecidos e inquietos e céu abafado, mortalha de um mundo perdido;
Esbravejavam, lançavam-se ao chão, rangiam os dentes, urravam.
Aves selvagens guinchavam aterrorizadas batendo, em vão,  as asas.
(Até caírem por terra).
As mais horrendas feras aproximavam-se – mansas, trêmulas;
Víboras rastejavam multiplicando-se em meio à multidão
- desprovidas de chocalhos, assobiavam mortas de fome.

A Guerra findou, saciada em melancólico banquete sangrento.
Amantes não tiveram a chance da despedida.
A Terra era só um pensamento: a iminente e inglória Morte,
Apascentando-se das vísceras humanas.

Defuntos em ossos e carnes insepultos.
A voragem miserável obrigava até os cães a devorarem seus donos.
Exceto um, fielmente atado à coleira – latindo, protegia
Pássaros, feras e homens desamparados.
Habituar-se-iam à penúria,
Ou a Morte os subjugaria com sua poderosas mandíbulas.

O cão tentou encontrar alimento.
Num lamento, lúgubre, infindável,
Chorando, solitário, lambia a mão do dono, inerte e indiferente ao afago.

Duas cidades sobreviveram.
A contenda se deu junto às brasas do altar.
Objetos sagrados eram profanados.
Legiões de cadáveres lutavam na penumbra,
Erguendo as esqueléticas e frias garras.
Monte de cinzas impelidas no sopro derradeiro
(burlesca imitação da vida).
Olhos desorbitados sobressaíam à pálida luz restante.
Figuras hediondas guinchavam e sucumbiam irmanadas.
Irreconhecíveis semblantes esculpidos pelo demônio.
O mundo – um vácuo -
Tão somente solidão. E a massa informe.

Primavera não, nem outono ou inverno; nem verão...
Ausência de árvores, de pessoas, de vida.
A Morte – caos da horripilante argila humana.

Restaram os oceanos, os rios, os lagos em cujas profundezas
Os navios apodreciam, os mastros despencando em pedaços.
Jaziam para sempre no abismo sem ondas.
A lua amante e amada, exalara antes.
Os ventos secaram no ar estagnado,
As nuvens pereceram.
Escuridão absoluta.
Trevas.

Adaptação do poema Darkness, de Lord Byron

Licantropia nas Religiões

PowerWolf: Blood Of The Saints
Por Licio Nepomuceno

Licantropia é a capacidade, ou poder, de um ser sair de sua forma humana e se transformar em um lobo, ou a ganhar características de um lobo. O termo vem do grego Lykànthropos (lycos, lobo + anthropos, humano). A palavra também tem sido associada a Licaon,  rei de Arcadia, que, de acordo com historiador Ovídio, foi transformado em um lobo voraz por tentar servir carne humana (do seu próprio filho) para chegar até Zeus na tentativa de negar a sua divindade.

Nos mitos e lendas originais, a licantropia não é ligada a qualquer causa específica que não esteja atribuída, geralmente, à magia, que pode ser voluntária (poder sobrenatural) ou involuntário (maldição). A noção de lobisomens e outros licantropos contaminarem seres humanos através de suas mordidas é característica da ficção moderna.

A Licantropia é frequentemente confundida com a Transmigração (da alma); mas a característica essencial do quase-animal é  a forma alternativa de um ser humano vivo, enquanto a alma é do espírito de um ser humano morto. No entanto, instâncias na lenda do homem reencarnado, os lobos são frequentemente classificados como licantropos, bem como essas instâncias os identificam como lobisomens no folclore local.

Não há nenhuma linha de demarcação, e isso torna provável que licantropia esteja conectada com o nagualismo (no floclore mesoamericano, um Nagual ou Nahual,  é um ser humano que tem o poder de magicamente transformar-se em uma forma animal: mais comumente um burro ou cão,  mas também em outros animais mais poderosos como o jaguar, ou a onça-pintada e onça-parda) e a crença no espírito familiar, em vez da metempsicose (uma característica da metempsicose é uma indefinição das fronteiras entre o intangível e o corporal, uma vez que almas são frequentemente concebidas como formas sólidas, visíveis que precisam comer e podem provocar danos físicos aos humanos), ou com totemismo, como sugerido por JF M'Lennan.

Assim, nas origens da licantropia misturam-se a crença na reencarnação, a crença no compartilhamento das almas entre seres humanos vivos e os animais e uma crença em fantasmas humanas aparecendo como animais não-humanos após a morte.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Anjos da Noite - A Rebelião


O terceiro filme da saga anjos da noite, mas mesmo sendo o terceiro, ele no caso mostrara o inicio de toda a trama. A historia dos vampiros e lycans volta no tempo para nos mostrar o começo de tudo isso, mil anos antes e duas raças deram origem a partir o primeiro imortal, Alexander Corvinus, um nasceu diferente do outro.

Os lycans vieram da linhagem bárbara de William e os vampiros vieram da linhagem de Markus, com uma aparência menos brutal e mais humana se transformaram em elegantes aristocratas.

Quando uma lobisomem fêmea da luz a um bebe com aparência humana, Viktor o líder dos vampiros tem que escolher entre matar ou não a criança, no fim ele não mata e o nomeia de Lucian, o garoto se provou mais forte, muito mais inteligente e melhor que qualquer outro lobisomem. É capaz de assumir sua forma de homem ou sua forma de animal quando pretender.

Vendo isso, Viktor criou a partir de Lucian outros lobisomens e os escravizou, Lucian então era o favorito de Viktor, mas ele não aceitava ser submisso a eles e muito menos aceitava que sua raça toda fosse escravizada sem uma chance. Foi então que Lucian começou tudo, uma rebelião, ele fazer algo para isso acabar e a guerra verdadeira entre os vampiros e os lobisomens iria começar.

Mais não é só isso, Viktor tem uma bela filha chamada Sonja, que trai o pai dela por amar Lucian, assim temos um casal no meio de toda essa brutalidade, o que da pra descontrair um pouco e ainda sim deixar a trama mais interessante. É gravado num castelo antigo de pedra, com esculturas e símbolos celtas. O diretor diz que é o primeiro filme dele a onde ele constrói um castelo de pedra e com isso se sente bem animado, no filme todo a tonalidade azul ou verde é preferível e da realmente um ar sombrio, úmido e gelado as cenas feitas.

O filme é perfeito. É muito bem feito, não tenho do que reclamar desse filme, pois tudo me agradou e é um dos meus favoritos, espero que o gostem.

Enquanto isso... A Vida do Arcanjo Lycan...


“A Leitura engrandece a Alma.”

Voltaire

Ps.: Leiam o Fúria Lupina de nosso amigo Alfer Medeiros!

Lobos, Cães e Raposas...


Por Yuri Vasconcelos

Há várias diferenças, como o porte, os hábitos alimentares, a organização social e o comportamento em relação ao homem. Mas existe também muita coisa em comum entre cão, lobo e raposa: os três fazem parte da família dos canídeos, que inclui também o chacal, o lobo-guará, o coiote e o mabeco. No total, há 34 espécies de canídeos. São animais de porte médio e onívoros - preferem comer carne de outros bichos, mas, numa situação de escassez de alimentos, até encaram uma plantinha. Ao longo dos tempos, eles deixaram de ocupar apenas a América do Norte e se especializaram em caçar em planícies abertas. Os caní-deos de grande porte costumam viver em matilhas, enquanto os menores são chegados a uma vida mais solitária. Segundo os zoólogos, existe apenas uma espécie de lobo, o cinzento, dividida em várias sub-espécies - o cachorro doméstico é uma delas. Por serem parentes próximos, ambos da tribo Canini, cães e lobos podem até cruzar e gerar filhotes híbridos.

CONSULTORIA: ERIKA HINGST-ZAHER, ZOÓLOGA ESPECIALIZADA EM MAMÍFEROS DO MUSEU DE ZOOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)

Mundo cão
Dentro de todo cãozinho domesticado há um ancestral selvagem

Lobo

O lobo-cinzento (Canis lupus) é um canídeo selvagem, não domesticado, que vive em alcatéias, grupos liderados por um macho e uma fêmea adultos. Ele pode atingir 2 metros de comprimento e pesar mais de 60 quilos. As cerca de 15 subespécies habitam florestas ou planícies da Europa, Ásia, Estados Unidos, Canadá e Norte da África, mas, em alguns lugares, como o Japão, estão à beira da extinção por causa da perseguição do homem

Raposa

A raposa-vermelha (Vulpes vulpes) é a mais comum das 16 espécies de raposas. Depois do homem, ela é o mamífero terrestre com maior distribuição no mundo - está presente em 83 países dos cinco continentes. As raposas são animais de pequeno ou médio porte, cuja má fama (se o chamarem de "raposa", não é um elogio) vem dos ataques a animais criados em propriedades rurais. Elas vivem em todo canto, em locais tão diversos como florestas, pântanos, desertos e savanas

Cão

Dos três (cão, lobo e raposa), o cachorro (Canis lupus familiaris) é o único domesticado pelo homem, em um processo que começou há 135 mil anos. Os primeiros cães domésticos exerciam o papel de guarda e caça. As mais de 400 raças de cachorros que existem atualmente resultam da seleção feita pelo homem

Cara de um, focinho de outro
O que cães, raposas e lobos têm em comum

CÃES’ ANATOMY

As patas dianteiras dos canídeos têm quatro ou cinco dedos, e as traseiras, só quatro. A cauda comprida é usada na comunicação entre os indivíduos: os animais submissos, por exemplo, colocam o rabo entre as pernas diante do dominante. Já as pernas longas e a audição e o olfato apurados são resultado da evolução das habilidades desses caçadores

HERÓIS DA RESISTÊNCIA

Boa parte dos canídeos de médio e grande porte prefere caçar em grupo. Embora não usem o elemento surpresa nem sejam tão velozes quanto certos felinos, eles têm excelente resistência e acabam capturando suas presas pelo cansaço. Algumas caçadas podem se prolongar por dias

VELHOS CONHECIDOS

Os canídeos são dos mais antigos carnívoros do planeta. Os primeiros ancestrais viveram na América do Norte há 30 milhões ou 35 milhões de anos, quando os dinossauros já haviam sido extintos. Acredita-se que eles evoluíram dos miacídeos, uma família de mamíferos placentários e carnívoros já extinta

INVASÃO GLOBAL

Exceto na Antártida e em algumas ilhas da Oceania, os canídeos estão presentes em todo o mundo. A dispersão desses animais ocorreu cerca de 6 milhões de anos atrás. Eles atravessaram o estreito de Bering, que liga o Alasca à Rússia, e se espalharam pela Ásia, Europa e África. À Austrália, chegaram levados pelo homem

Feito cães e gatos
Da pata ao focinho, veja as diferenças entre canídeos e felídeos

• As garras dos felídeos são retráteis, e as dos canídeos não. É isso que faz com que os felídeos subam em árvores - coisa que os canídeos não fazem

• A boca dos canídeos tem de 38 a 42 dentes, enquanto a dos felídeos tem, no máximo, 30. A redução do número de dentes aumenta a potência da mordida, um traço importante nos felinos, animais que só se alimentam de carne

• Felídeos e canídeos são da ordem carnívora, mas os felinos pertencem à subordem felifórmia, enquanto os canídeos são da subordem canifórmia

quinta-feira, 22 de março de 2012

O Poder da "Fé"

"Humanos tem medo de lutar pelo que acreditam! São imaturos quando se trata de escolhas da alma, do coração!

Estão sempre buscando meios de repor uma perda imaterial, por algo material! E é ai que começam a se corromper, seguindo para meus braços. Quando a chama da vida apagar, eles começam a entender que o poder nunca será suficiente para suprir a essência da vida que eles trocaram para não se machucar... pela fé que acabaram de perder...

E no dia que eles perderem isso, eu darei para eles o fogo que tanto desejam possuir.

E todo o poder encarnado que eles poderem mostrar, mostrará o quanto que o ser humano é!

Eu darei o começo, e você o fim!"

(O Cavaleiro, livro 02 - Brann, Deus do fogo para Arc´Than, Deus da morte)

terça-feira, 20 de março de 2012

Lubrax - Caminhão Licantropo


Essa propaganda aqui da Lubrax é bem mais antiga do que a da Tigre que mostramos no post anterior, de 2010 se não me engano, mas com certeza ela merece espaço no Arc'... Tá mais pra um Transformer do que pra um "Caminhozomem" hein?




O Lobisomem Vendedor da Tigre


É claro que não podia faltar essa aqui no Blog! A Tigre tá de parabéns!

"Oh Invejaaaaa! O Cara é um craque..."


Poesia Lupina

De doze, nove
De nove, seis
De seis, três 
De três, apenas um.

A Lua vem com a noite
Um a um, os vejo sumir
São monstros, são homens
Eles esperam o grande dia.

Julho chega depressa, 
O lobo despertará.
Ele virá sob poder
E sua fome saciará.

Filhos da noite aguardem
A vingança o Lobo trará.
A profetisa anuncia
Não cessem de lutar.

Artêmis

Nota do Arcanjo Lycan:
Recebi esse texto em um dos comentários do blog, achei-o altamente fascinante... Então, sob a guarda de Artêmis eu o trouxe aos leitores do Arc’... Espero que apreciem o mistério em torno da leitura!