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sábado, 9 de janeiro de 2016

O Lobo - Grande Matador - A Mitologia do Lobo - Parte IV



Então, até que ponto são reais os Homens-Lobos?

H.P.B. descreve-nos assim este fenômeno: “Fisiologicamente é uma doença ou mania, durante a qual uma pessoa se sente lobo e atua com tal. Ocultamente, significa o mesmo que a palavra inglesa “WerWolf”, a faculdade psicológica de certos feiticeiros de aparecer ou apresentar-se com aparência de lobos”.

Com efeito, alguns indivíduos psicóticos, imaginando ser lobos, comportaram-se de modo agreste e selvagem, rasgando carne crua, delirando, evitando o contato humano e deixando de se preocupar com a comodidade pessoal ou com a proteção contra os elementos naturais. Os relatos sobre este tipo de comportamento não são raros.

As sociedades antigas, que nos revelam claramente os seus mitos, sabiam que existia uma relação definida entre a lua e a violência. Mas, provavelmente, esta lenda recebeu ímpeto adicional no Séc. XVII, quando se tratava de confinar loucos e “lunáticos” a hospitais e prisões. Como vimos, alguns maníaco-depressivos podem ver estimulada a sua conduta maníaca mais frequentemente durante a lua cheia. Nesses momentos aceleram-se os seus processos vitais unidos a seus ataques de agressividade selvagem, o que reforçou a lenda do homem-lobo nos séculos passados. Até 1808 era comum, durante essa fase da lua, acorrentar e espancar os internos do famoso hospital Bedlam, em Londres, para “impedir a violência”.

Sem duvida a história demonstra que a sociedade foi muito cruel com essa figura patética do homem-lobo. H.P.B., por exemplo, fazendo um pouco de história disse textualmente: “Voltaire afirma que no departamento de Jura, no espaço de dois anos, entre 1598 e 1600, uns seiscentos licantropos foram sentenciados à morte por um juiz demasiado cristão. Isto não significa que os pastores acusados de heresia e vistos como lobos tivessem o poder de se transformar fisicamente nos ditos animais, mas simplesmente de que possuíam o poder hipnotizador de fazer crer as pessoas (ou aquelas que consideravam seus inimigos) que estavam a ver um lobo, quando na realidade não havia nenhum. O exercício de tal poder é verdadeira heresia”.

Os romanos chamavam lobas ás prostitutas, daí vem a palavra prostíbulo, e acreditavam também que a estranha metamorfose podia produzir-se se se encolerizava a aterradora Hécate. Os Xamanes e bruxos usaram sempre em seus ritos as formas de animais totémicos. É provável que a licantropia se tenha originado desse modo, pois o lobo foi um importante animal totémico. O professor Lieber, no seu estudo sobre o influxo da lua, afirma de modo taxativo: “Quando um homem é capaz de aceitar as tendências “lobitas” existentes no seu interior – sua herança evolutiva - , não necessita mais de uma vitima propiciatória, nem humana nem animal”.

Evidentemente, mais além das balas de prata disparadas ao coração e mais além dos espetaculares efeitos de maquiagem dos filmes, o homem-lobo tem uma realidade física e, mais ainda, esotérica.

O Lobo nas Iniciações Guerreiras

Tomando como ponto de partida a realidade esotérica do homem-lobo, vamos ver como a imitação ritual deste poderoso animal é um traço específico das iniciações guerreiras.

Em Esparta, durante a provação, o Couros lacedemônio vivia todo o ano como se fosse um lobo; oculto nas montanhas, alimentava-se do que roubava e tinha muito cuidado para que ninguém o visse. Entre os Koryakos e algumas tribos norte-americanas como os Kwakiult, antes de partir para a guerra, executavam as danças do lobo e a porta da cabana iniciática tinha a forma do focinho do animal. O guerreiro transformava-se em lobo como forma de preparação mágica para a guerra. Por isso Mircea Eliade disse: “Muitas lendas e crenças populares sobre o homem-lobo poderiam explicar-se por um processo de folclorização, quer dizer, pela projeção no mundo da fantasia de uns rituais concretos, xamânicos ou de iniciação guerreira”.

G. Dumèzil demonstrou a sobrevivência de certas iniciações guerreiras entre os celtas e os romanos, enquanto que H. Jeeanmaire encontrou rastos desses ritos iniciais entre os lacedemônios. Parece, assim, que os indo-europeus compartilhavam um sistema comum de crenças e de ritos próprios dos jovens guerreiros.

A iniciação guerreira consistia essencialmente na transformação do jovem guerreiro em “fera”. Não se tratava unicamente de bravura, força física ou capacidade de resistência, mas de uma experiência mágico - religiosa que modificava radicalmente o modo de ser do jovem guerreiro. Tratava-se de uma transformação ritual em lobo, a qual implicava a solidariedade mística com uma divindade da guerra capaz de se manifestar em forma de lobo (como por exemplo o deus Marte).

Entre os antigos germanos, os guerreiros-feras eram chamados Berserkir ou Berserks, literalmente “guerreiros revestidos de (serk) ossos”. Eram conhecidos como Ulfhedhnar, “homens com pele de lobo”. Desta forma o Berserk era possuído pelo “Wut”, o “furor heroicus” dos romanos. A mitologia viking diz-nos que só os guardiães principais de Odin podiam pertencer à fraternidade secreta dos guerreiros “berserkir”. Alguns historiadores afirmam que, com o decorrer do tempo, ao perder-se a verdadeira implicação esotérica, os berserkir eram simplesmente guerreiros que adotavam formas brutais, comendo carne crua e proferindo alaridos que provocavam a aversão dos seus próprios companheiros.

Nas legiões romanas também se concedia de modo seletivo a pele de lobo. De fato, só punham a pele de lobo soldados de classe especial, como o Cornicem ou Corneta e os Signifer ou Porta-estandarte dos Signum. Apesar de em épocas diferentes ter sido a vestimenta de campanha de corporações inteiras de soldados de Velites ou soldados de infantaria ligeira. A assimilação da pele de lobo como indumentária própria de alguns elementos das legiões romanas parece ter sido por influência dos Dacios do Danúbio, segundo Eliade.

 Os textos irídios falam repetidas vezes de “lobos de duas patas”, afirmando, inclusivamente, que os lobos de duas patas são mais mortíferos que os de quatro patas. Neste caso referiam-se aos membros dos Männerbünde ou fraternidades secretas de guerreiros irídios.

Podemos concluir dizendo que a procura desse “furor heroicus” do lobo, a imitação ritual dessa valorosa criatura, colocando em si a sua pele, foi um fenômeno amplamente difundido entre os melhores guerreiros desde a mais remota antiguidade; acrescento que na década dos anos vinte, o movimento “nazi” na Alemanha, formou a “organização dos homens-lobos”. (Recordemos que “lobo” era o sobrenome de Adolfo Hitler). Supõe-se que no fim da 2ª Guerra Mundial esta organização continuou lutando em guerrilha contra os aliados. Nada se sabe sobre a sua organização interna, desconhecemos se praticavam algum tipo de cerimonial, mas é evidente que os seus membros tinham bastantes problemas em conseguir manter-se vivos e ocultos nas montanhas. 

Fique então, como conclusão, que esse furor heroico que o guerreiro procurou através dos séculos, não foi mais do que a necessidade dessa força imparável, dessa potencia natural, desse lobo enfurecido capaz de arrasar as barreiras que a matéria opõe à elevação do ser humano no seu aspecto espiritual. O furor heroico do lobo não se pode ver, num ser humano, como a brutalidade ou destruição cega, sinal claro de ínfima evolução. É a própria consciência espiritual do sagrado Marte, o Deus-lobo, que arremete de forma consciente e imparável contra o pior inimigo do guerreiro, que é sem duvida a parte mais baixa de si mesmo. O guerreiro místico de todos os tempos sabia que esse grande lobo estava latente no seu interior e que podia enaltecer-se à voz do grande deus, à voz do “lobo supremo”; por isso disse certa vez: Ares vigilia! 

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O Lobo - Grande Matador - A Mitologia do Lobo - Parte III

O Lobo Como Símbolo dos Fugitivos

Em consequência da implacável guerra que o homem lhe declarou, o lobo tem sobrevivido como o eterno fugitivo graças à sua notável inteligência e inesgotável resistência física. Os velhos “armadilhões” de sempre conhecem a dificuldade de enganar os lobos com as suas artimanhas de armadilhas e ratoeiras; parecem ter um sexto sentido para detectar estes perigos, evitando-os a tempo, como se Marte os quisesse proteger a todo o custo. Este fato foi desde sempre conhecido.

Entre numerosas populações indo-europeias, os emigrados, exilados e fugitivos eram apelidados de “lobos”. Já nas leis Hititas se dizia de um proscrito que “se havia convertido em lobo”. Nas leis de Eduardo, o Confessor, o proscrito tinha de levar uma máscara de lobo (wolfhede). O patíbulo era designado em anglo-saxão “árvore da cabeça do lobo”. Numerosos deuses protetores dos exilados e dos proscritos ostentavam atributos ou nomes relacionados com o lobo. Como vimos, é o caso de Zeus Lykoreios e Apolo Lykeios. Rómulo e Remo, filhos do deus-lobo Marte e amamentados pela loba do Capitólio, também foram fugitivos desde a mais tenra infância. Segundo a lenda, Rómulo teria estabelecido no Capitólio um lugar de asilo para exilados e proscritos. Sérvio disse-nos que este “asylum” se encontrava sob proteção do deus Lucoris, que se identificava com o Lykoreus de Delfos. A tradição narra a aventura de Lopichis, antepassado do historiador Paulo Diácono que sendo prisioneiro dos Avaros, evadiu-se e foi guiado por um lobo até a sua pátria, Itália.

Há motivos para acreditar que são esses ritos e crenças, intimamente relacionados com uma ideologia guerreira, que tornaram possível a assimilação dos fugitivos, exilados e proscritos aos lobos. Para poder subsistir, esses proscritos comportaram-se como os bandos de jovens guerreiros, ou seja, como verdadeiros lobos. É sabido que, até ao século XIX, as reuniões de jovens continuaram a incluir um banquete com víveres roubados a viva força, atemorizando as aldeias.

Licantropia, a Lenda do Homem-Lobo

O que é a licantropia? Usemos o sofrido dicionário, supostamente da Real Academia, que diz o seguinte: Licantropia, mania na qual o enfermo imagina estar transformado em lobo.

Será possível? O Satiricon oferece-nos uma versão completa do mito do homem-lobo. Efetivamente, um dos primeiros relatos desta metamorfose maligna aparece num dos contos de Petrônio. Um livro não menos divertido e maravilhoso, As mil e Uma Noites, no seu capitulo sétimo, conta o que Basco Ibañez traduz como “História do príncipe e a vampira”, mas como os vampiros nunca devoraram, mas apenas sugaram as suas vitimas, é evidente que se trata de uma mulher loba. Inclusive o seu afã de matar o príncipe e alimentar os seus cachorros com sangue fresco, é instintos de loba, a qual reparte sempre a presa com os seus cachorros. Platão e o historiador Heródoto, já tinham falado da licantropia. Eles mencionaram também o acônito, essa planta de dupla utilização que por um lado induz o homem a converter-se em lobo e por outro o cura da licantropia.

Os nossos antepassados não puderam deixar de observar que o lobo tem uma relação especial com a lua. Os uivos do “noivo de Hécate” pela sua amada deviam ser uma serenata constante para os homens que seguiam as matilhas selvagens. Sob a luz brilhante da lua cheia, os lobos comunicam por meio de uivos e assim se reúnem para caçar. A lua constitui uma grande vantagem para o predador noturno, e o homem emulou o seu concorrente. A lenda da licantropia persiste porque o lobo teve um papel importante no desenvolvimento dos hábitos humanos de caça. O professor e psicólogo, Robert Eisler, assegura que a lenda do homem-lobo procede de um passado obscuro: quando os homens aprenderam a caçar.

Sem dúvida, Robert Graves escreveu que os guardadores de gado da antiga Arcádia conceberam um papel diferente para o homem-lobo, mais alinhado com as necessidades do seu modo de vida. Segundo a teoria religiosa Arcádia, enviava-se um homem a viver com os lobos, este se convertia em homem-lobo durante oito anos e persuadia os lobos a deixarem tranquilos os gados dos homens e os seus filhos. Segundo a mitologia, Licaón, o primeiro rei de Arcádia foi convertido em lobo por oferecer a Zeus o corpo de uma criança habilmente cozinhado. Na Arcádia tinham o costume de imolar uma pessoa e, os assistentes do ato “comungavam” devorando as suas entranhas. Ficavam então convertidos em lobos e conservavam essa forma por oito anos, após os quais recuperavam a figura humana se durante esse tempo não tivessem comido carne humana.

Na França há muitos relatos de seres que, à luz da lua, têm o poder de chamar e dirigir matilhas de lobos. Os que estudaram o comportamento destes cães selvagens sabem que um ser humano pode constituir-se líder de uma matilha nas mentes dos lobos. Algumas pessoas reuniram matilhas de lobos, como o personagem de Kipling no “O Livro da Selva”. Recordemos os trabalhos realizados sobre este tema pelo Dr. Rodríguez da Fuente e outros naturistas espanhóis.

A necessidade de se defender do lobo é um fato ancestral que deu origem a rituais religiosos, de tal forma que, no arcaísmo das religiões greco-latinas, encontramos divindades e gênios protetores do gado. Esse é o caso de Pan e dos faunos. Na mitologia Vascã, temos um curiosíssimo gênio protetor; de nome Basajaun, senhor dos bosques. A lenda descreve-o alto, com forma humana e coberto de pelos. Quando este gênio está perto não há perigo de que um lobo se aproxime. A sua presença é anunciada pelas ovelhas com a sacudidela simultânea dos seus sinos. Apesar de se tratar de um homem-lobo de grandes dimensões, tem boas intenções.

De qualquer modo, na península, é na Galiza onde está mais arreigada a lenda do “lobisomem”. Na Europa a lenda é muito popular na Alemanha, e em especial na zona dos Balcãs e dos Cártamos.


Em todos os lugares por onde o lobo tenha vagueado, as pessoas contaram histórias estarrecedoras de homens e mulheres que assumiam a forma de lobos e se alimentavam de gado e de seres humanos. Apesar de em quase todo o mundo se pôr em duvida as histórias de autentica transformação física, não podemos deixar de observar que uma lenda tão disseminada deve representar uma verdade cultural e de comportamento. A maioria dos cientistas rejeitou totalmente os homens-lobo enquanto sujeitos dignos de investigação devido aos preconceitos existentes contra tudo o que signifique transformação mágica.

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Filmes: Um Lobisomem Americano em Paris (1997)


Título Original:  An American Werewolf in Paris 
Gênero: Terror
Direção: Anthony Walter
Roteiro: Antony Walter, Tom Stern e Tim Burns 

Trailer 

 Um Lobisomem Americano em Londres, com certeza, é um marco no cinema lupino. Antigamente, John Landis apresentou um amaldiçoado com direito a zumbis e um drama pesado que passa facilmente medo, assim como uma metamorfose exagerada (dolorosa demais). Apesar de considerar simplista e sem aprofundamento, a obra ficou na lembrança de milhares de fãs no gênero terror, provavelmente porque nesse tempo foi uma “novidade” e os efeitos dos mortos vivos foram muitíssimos bem feitos. Percebe-se também que no decorrer dos anos, vieram filmes seguindo a mesma fórmula de “lobisomem sofrido” buscando o sucesso dos anteriores, onde o condenado tem os amigos e a família como forte motivo para se livrar do fardo. Bem mais tarde, Anthony Walter fez Um lobisomem Americano em Paris, baseado no clássico de JL. 

A bela cena em que Andy tenta salvar Serafine (Julie Delpy) de um suicídio na torre Eiffel com uma grande e hipnótica lua cheia fazendo companhia, é uma das partes indispensáveis do filme, assim como Brad tendo uma horrível surpresa no escuro, apenas identificando os olhos iluminados da fera pronto para atacar. E a cena da lanterna defeituosa? A cada tapa que dava para retornar a luz, que acendia e apagava rapidamente, ao fundo, um grande lobisomem começa a aproximar-se lentamente. Daria pra criar uma lista imensa de sustos e partes marcantes que o lobisomem de Paris traz. Acredito que aqui, o diretor ousou bem mais, colocou características inovadoras. Os zumbis estão lá, já que se trata de uma continuação, mas nem por isso deixou de “reforçar” várias outras coisas: uma sociedade secreta de lobisomens skinheads, uma esperançosa cura da metamorfose, transformações sem a necessidade do ciclo lunar, mais humor, a visão amarelada do lupino (como se estivéssemos na própria pele da criatura), etc. 



 O erotismo não é esquecido, é bem colocado no casal protagonista e na necessidade do lupino de sexo impulsivo, onde também acontece em pleno cemitério com Amy Finch (Julie Bowen), em que Andy sente forte desejo sexual de imediato no restaurante, seguindo seu faro. Essa mesma loira também é a causadora de alguns risos para os telespectadores. A transformação é bem feita e menos exagerada, assim como os zumbis (mas não chegam a ser tão gores como os de Landis). Confesso que me decepcionei um pouco com as formas dos licantropos, eles não se parecem bem lobisomens, mas seres que apenas lembram vagamente lobos. Em compensação, não tem as presas gigantescas e desnecessárias. Os lobisomens de Walter são ágeis, tem uma força típica da criatura (tanto quando humanos como transformados) e não parecem morrer tão facilmente. Diferente do final de John Landis, o telespectador não pára e se pergunta: “e aí, já acabou? Simples assim?!” Entre membros despedaçados, espíritos pedindo ajuda e outros problemas... Andy precisa correr contra o tempo para salvar quem ama, acabar com a maldição e consequentemente vingar-se. Um Lobisomem Americano em Paris não fica atrás do de Londres, provando que nem toda continuação é necessariamente uma obra falha.



Avaliação: 
Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo 


Texto de C. Jr.

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Ela é do parceiro do Blog Arcanjo Lycan, o Arte TecnOn Line.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Lobo - Grande Matador - A Mitologia do Lobo - Parte I

Foi e sempre será um animal lendário, um ser mitológico e um símbolo para as antigas crenças. Quase sempre perseguido, poucas vezes compreendido e muito menos respeitado, o Lobo constituiu alguma vez um sério concorrente do homem (sim, isso é verdade). A maior parte da humanidade considera-o como um símbolo de crueldade e de sangue, porque no passado, quando o homem aprendeu a domesticar e dominar outros animais, o Lobo converteu-se numa “peste”, um bandido que roubava o gado a camponeses e nómadas. Criatura mortífera por excelência, lá onde o lobo habita ninguém sabe o que é a paz, pois “o Grande Matador” leva a morte como seu estandarte, e como um digno filho de Marte vive em guerra constante.

Isto é o que ficou no nosso subconsciente coletivo, mas sem dúvida também o homem aprendeu com ele, e quando os humanos se viram obrigados pelas circunstâncias a adotar a prática da caça, desenvolveram um respeito muito especial pelos métodos e capacidades deste animal. Viram que o lobo era magnífico na sua estratégia, impecável em cada um de seus movimentos, mestre no ataque, a própria encarnação da força e da eficácia.

No entanto, em todas as batalhas entre o homem e o lobo, o último sempre teve que perder, como lei inevitável da escala evolutiva.

E foi assim que o vagabundo dos bosques estendeu as suas correrias pelo mundo fantástico da literatura e, do mesmo modo que se esconde numa cova para dar à luz os seus lobinhos, com o poder do seu fascínio introduziu-se na imaginação das mentes mais diversas, entre letrados e poetas, que por sua vez deram a luz inumeráveis histórias que sempre nos acompanharam.

É tradição que desde pequenos, com os olhos abertos, escutávamos a nossa mãe ou a avó contar-nos aqueles contos tão antigos como entranháveis de “Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau” (alguns contos alterados para humanos e outros para os próprios lobos), ou as dificuldades que passaram os “Três Porquinhos”, ou “Os Sete Cabritos” (sendo esta segunda menos conhecida), ou a história daquele garoto pastor mentiroso que enganava todos dizendo que vinha aí o Lobo, ou… enfim, todo um inesgotável repertório com a constante do lobo como sendo o personagem mau da história. Uma vez Rudyard Kipling, inspirado na velha Índia, deu-nos outra visão do lobo, no seu maravilhoso “Livro da Selva”, e inclusivamente Ruben Dário conseguiu fazer dele um ser bondoso graças à santidade de Francisco de Assis, numa bela poesia. E quem não sentiu com Herman Hesse que dentro da sua alma palpita um “Lobo das Estepes”? (estão ligados nas referências?) . Há centenas, milhares de títulos em todas as línguas onde aparece este nome fascinante: LOBO.

E para entender alguns termos atuais, talvez convenha recordar as línguas raiz: em sânscrito chamava-se VRIKA, em persa VARKA, em grego LYKOS ou LUKOS, em latim, LUPOS (LVPVS), em eslavo VULKII e em lituano VILKA.

O Lobo na Mitologia

Na mitologia greco-latina encontramos vários deuses principais representados sob a forma de lobo. Mencionaremos em primeiro lugar ZEUS LYKAIOS de Arcádia, e também APOLO LYKAGENES; este último epíteto tem sido explicitado como “o da loba”, o “nascido da loba”, quer dizer gerado por Letona transmutada em loba segundo algumas versões, e assim o vemos representado em algumas moedas. Também em Cirene existia o culto a Apolo Lício, pois segundo a lenda, Apolo uniu-se à ninfa que deu nome à cidade sob a forma de lobo.

A deusa Hécate – A Lua –  , deusa da feitiçaria, era representada como uma loba; também as Ménades, as bacantes divinas que seguem Dionísio, com lobos nos braços, dado terem poder sobre as feras.

Sem dúvida os romanos consagraram este animal a Marte, deus da guerra. Nas festas que se celebravam em sua honra sacrificavam um cavalo como símbolo do ardor militar, e um lobo como emblema de furor. Na maioria das representações deste deus aparecem dois lobos gravados em baixo-relevo no seu casco.

Fora do âmbito greco-latino também encontramos numerosas associações entre o lobo e algumas divindades religiosas. Já os antigos lhe concederam um lugar no firmamento dando o seu nome a uma constelação astral debaixo de Libra e a ocidente de Escorpião. Na China antiga, por ocasião dos eclipses, lançavam-se flechas contra o “lobo celeste”, para restaurar o espaço ritual e restabelecer a ordem no mundo obscurecido pelas trevas.

É significativo o fato de que determinadas culturas que não tinham lobos nos seus habitats naturais, tenham usado alguns animais equivalentes, como o coiote e o chacal, dadas as evidentes semelhanças entre estes e o lobo. Do mesmo modo que, no caso das aves de rapina, se estabelece uma equivalência entre a águia, o condor e o falcão, consoante as regiões.

Vejamos, por exemplo, o tema central das cosmogonias californianas, onde o conflito se centra entre o Criador e o coiote; o Criador desejava fazer um mundo paradisíaco e um homem imortal; o coiote introduziu a morte e arruinou a terra dando origem às montanhas, destruindo os alimentos, etc.

Também no mundo egípcio o lobo era símbolo de valor; O mesmíssimo deus Anúbis, o deus com cabeça de chacal, também chamado “Senhor da Necrópolis”, aparece representado frequentemente sob a forma de cão ou lobo, e é igualmente associado com a guerra, sendo nas primeiras dinastias, o guia do rei nos combates.

Segundo Diodoro, Macedón – herói epônimo de Macedônia – é irmão de Anúbis. É representado revestido com uma couraça de pele de lobo, e o rosto coberto com uma mascara com a cabeça deste animal.

Na mitologia viking, o lobo, apesar de ter um caráter negativo, transformado de modo sobrenatural, ocupa um lugar predominante como animal simbólico. Existe um relato sobre os céus que se reveste de um significado algo sinistro. É fácil contemplar da terra, tanto o sol como a lua correndo pelo firmamento. Isto sucede, não só porque ambos são arrastados por esplêndidos corcéis, mas também porque os astros têm uma diligente necessidade de não perder tempo já que são perseguidos por lobos. Nem o sol nem a lua têm lugar onde se ocultar das bestas perversas e ficam assim condenados a correr á frente delas até ao fim dos tempos. As profecias afirmam que, no final, os lobos saltaram sobre o sol e a lua engolindo-os completamente.

Mais surpreendente é contudo a lenda de FENRIR. Depois da serpente mundial ter sido atirada ao oceano e Hel desterrado para Niflheim, restava ainda um terceiro filho do malvado Loki – gênio do mal - , o cachorro Fenrir. A princípio não era mais que um lobinho adorável, mas depressa começou a arreganhar os dentes. Cresceu rapidamente, chegou a comer um cordeiro de uma só vez, até que a sua presença se tornou insuportável para Asgard. Foi então que Odin ordenou que se fabricasse a celebre cadeia Loding, no entanto com um pequeno esforço a cadeia arrebentou. Os deuses então fabricaram a cadeia Dromi, que significa “os grilhões”, e que era muito mais forte que a anterior, mas esta também foi feita em pedaços por Fenrir. Assim, Odin recorreu à magia de um anão que fabricou uma corrente impossível de quebrar com seis ingredientes maravilhosos:

O ruído da queda de um gato a seus pés, a barba de uma mulher, as raízes de uma montanha, a respiração de um peixe, os nervos de um osso e a saliva de um pássaro.


Fenrir foi persuadido a deixar-se atar com o laço que era tão suave e frio como seda; e a magia do laço foi superior à força do lobo. Tanto se sacudia querendo escapar e tanto abria a boca querendo morder, que os deuses puseram lhe uma espada a modo de cunha entre as mandíbulas. A lenda diz que assim continuará até que chegue o Ragnarok. De Fenrir descende toda a raça de lobos, incluindo os que perseguem o sol e a lua através dos céus.

É curioso observar como o folclore tradicional do lobo se mistura com a religião cristã. De fato, na Galiza há alguns santos de misteriosa procedência com estranhas associações com os lobos. Mesmo assim, São Sava e São Teodoro, na Iugoslávia, e São Pedro na Romênia, são hoje considerados patronos dos lobos.

Mircea Elíade ressalta a antiguidade do que poderíamos chamar “licomitologia”:


“ O arcaísmo do complexo religioso desenvolvido em torno do lobo esta fora de dúvida. O lobo já estava presente na civilização neolítica de VINCA, onde apareceram figurinhas que tanto representam cães-lobos como também dançarinos com máscaras de lobo. No que respeita a estes últimos objetos, e supondo que a interpretação seja correta, não é possível definir se aludem a ritos iniciáticos guerreiros ou a cerimônias sazonais durante as quais os jovens revestem-se com mascaras de lobo. Essas cerimônias ainda são populares nos Bálcãs, na Romênia, especialmente durante os doze dias que vão da noite de Natal até Epifania”.

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Repost: Feras Modernas – As Forças que Comandam


Os lobisomens são seres que nascem com aparência humana e só vem a conhecer sua real forma quando fazem a Primeira Transformação, esta que deve ocorrer na mesma Lua em que ele nasceu. Vivem como se estivessem em dois mundos, mas não são bem vindos em nenhum. Os humanos e os espíritos são os “parentes”, mas não são bem vistos nem por um e nem por outro. Muitos licantropos possuem fortes problemas com espíritos e por respeito evitam adentrar territórios como cemitérios, por exemplo (o Arcanjo Lycan também serve de exemplo). A Lua inconstante governa o fluxo e o refluxo do sangue.

Os predadores da era contemporânea caçam em florestas de asfalto, alvenaria e vidro. Suas presas e garras são colocadas a prova em meio a um mundo repleto de câmeras. Seus sentidos lhe mostram aspectos do mundo que ele nunca viu. Debaixo da pele humana, há uma Fera claustrofóbica que anseia por liberdade. O terno de carne humana abafa seus sentidos, somente a mudança o torna completo novamente.

Somente os lobisomens são capazes de experimentar emoções tão intensas. Suas alegrias são mais profundas, seus episódios melancólicos, mais assoberbantes. Mas absolutamente nada faz um coração lupino bater mais do que a ira.

À medida que ele cresce, a raiva vai amadurecendo em sua alma e se fortalece, cresce junto até se transformar numa força de intensidade brutal. Se ele permitisse, toda essa força o sufocaria até a morte, por isso ela precisa ser liberada e o lupino procura uma oportunidade para liberar toda essa ira. Ele assume sua forma real, como quando um guerreiro veste sua armadura... Só a Fera fala agora!

Por mais difícil que seja controlar os instintos predatórios, o lobisomem ainda assim precisa tentar. Aquele que cede com freqüência a sua raiva, que caça mesmo quando não tem fome ou devora a carne de seus irmãos acaba tornando-se cada vez mais bestial. Mas o lupino não pode negar a sua verdadeira natureza. A recusa de transformar-se a luz de sua Lua de Nascimento e correr por aí sob sua forma natural pode distorcer a noção de identidade do lobisomem e levá-lo a loucura.

O lobisomem não pode se render aos seus desejos predatórios, tampouco pode renegá-los. Somente ao trilhar um estreito caminho do equilíbrio, exatamente entre o homem e a fera é que ele encontra um pouco de paz. Esses momentos são fugazes e muito frágeis ao luar, mas representam o âmago e alma daquilo que faz o povo lupino continuar lutando.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Cisão .1 - Aporta

Uma lenda muito antiga que vaga no mundo por tanto tempo e de formas tão diferentes que já não se consegue rastrear a verdadeira origem, se é que há uma origem e não várias.

Mas isso não importa mais, nem sequer importava o porque tinha se tornado o que era, sua única esperança era acreditar naquele cara estranho que lhe prometera a redenção e sua vida de volta. Pensava o jovem lobo de cima do pequeno prédio, sua pelagem cinzenta balançando ao vento do verão que chegara, esperando a lua estar no alto do céu e as nuvens escassas se dissiparem.

Eram 01:10 da madrugada quando decidiu agir, habilmente deslizou pela lateral do prédio usando suas garras para aparar a velocidade da queda. Antes de chegar ao telhado do estacionamento, saltou para trás, caindo no terreno baldio ao lado sendo aparado pelo mato alto que havia ali. Antes de partir repassou mentalmente o terreno adiante, iria pular o muro à esquerda e seguir pelos terrenos até o penúltimo, dali seguiria para o norte atravessando a rua e o quartel do exército.

Na calçada à direita havia um sentinela longe demais para notar qualquer coisa, à frente um muro de grades de 1 metro, dentro do terreno também a direita outro sentinela, mas este armado com fuzil e à esquerda em uma guarita dentro do terreno também armado, sua vigilância era para a rua então se não fizesse nenhum barulho alto demais não seria notado, seguindo em frente por uma pista de obstáculos e bem à esquerda em uma guarita colada ao muro outro sentinela armado e um morro inclinado a frente, subindo o morro encontraria ainda mais uma sentinela armada, se passasse despercebido conseguiria utilizar uma das árvores no pé do morro como estilingue para arremessá-lo  no terreno em frente sem ser notado pelos cães de guarda.

Seu coração pulsava a pondo de senti-lo fazer pressão na lateral da cabeça, depois de tanto tempo finalmente estava a metros de distância do réquiem, um pano negro com círculos e simbologias de várias culturas. Correria com os quatro membros afim de agilizar sua velocidade. Respirou fundo mal contendo sua ansiedade e partiu. Deixando em poucos segundos os muros atrás de si e subindo o morro como se fosse nada, seu objetivo cada vez mais perto e os obstáculos deixados para trás com facilidade, em cima do morro viu a sentinela virada para a esquerda observando a estrada abaixo, então vendo isso relaxou um pouco, um erro grave.

Com toda a ansiedade não percebeu o pequeno Quero-quero que repousava em seu ninho, quando ia pousar nas patas dianteiras do salto da corrida uma delas pegou exatamente em cima da ave, a falta de solidez fez com que torcesse a pata fazendo com que caísse, girado diversas vezes, terminando com de costas, num salto levantou-se e continuou correndo até a beira onde pegou todo o impulso que podia e saltou, pensou consigo "quase lá...", então ouviu um barulho que qualquer um num raio de um quilômetro ouviria, BANG!

O lobo olhou levemente para trás e encontrou a sentinela sentado em meio a areia da pista de corrida com o fuzil no chão logo atrás de suas costas ainda soltando a fumaça do tiro. "Se não fosse a bandoleira aquela arma teria ido bem mais longe", Pensava enquanto uma pergunta apareceu, "Aonde ele atirou?". A resposta não tardou quando segurou o galho e estava impulsionando o salto para fora do terreno sentiu o braço amolecer, o tiro, por puro azar, o atingiu no ombro sentiu a mão se abrir sem forças no meio do empuxo e ser arremessado para cima.

Caindo no meio fio do outro lado da rua, a queda de 12 metros cobrou seu preço, além do buraco do tiro e a fraqueza no braço direito a queda lhe custou 2 costelas e uma clavícula, longe de ser qualquer coisa fatal mas isso o impediria completamente de lutar seja ela qual for, o sentinela daquele posto vinha correndo para seu posto enquanto ouvia-se gritos de alarme acordando a vizinhança, seu alvo sem dúvida acordou com o latir dos cães, por entre os dentes cerrados de raiva e a dor que sangrava de suas feridas, tomou uma decisão coerente com a situação, virou-se e correu, sumindo nas ruas rapidamente.


Autor: Jean Lamim
Edição: Hugo Antônio

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Meu Pai É Um Lobisomem


Meu pai é um lobisomem. 
Agora mesmo, vive ocupado. 
Deixa seus cabelos nas escadas e cadeiras, 
É realmente muito revoltante 
E se meus amigos fazem comentários 
(para alguns deles que são maníacos), 
Digo-lhes que é o cão ou gato.
Eu nunca digo que é meu pai.


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Pai não aceita relacionamento da filha com um Lobisomem e a garota foge de casa

Menina está desaparecida e os pais disseram que estão dispostos a conversar sobre o relacionamento

Carolina da Costa, 18 anos, fugiu de casa depois que o pai descobriu que ela namora, escondida, um lobisomem que ronda a Fazenda Santa Tereza, no interior de Alagoas, de propriedade do pai da jovem, nas noites de Lua cheia.

O pai, Carlos Costa, acionou a polícia na manhã desta segunda-feira (25). Seu Carlos, --como é conhecido na região, -- disse que está abalado e assustado. "Eu sabia que minha filha gostava homens cabeludos, como Tony Ramos, mas nunca imaginei que ela fosse se engraçar por um Lobisomem", disse.

A policia não acredita, totalmente, que a garota tenha fugido com o lobisomem. "Ela pode está na casa de alguma amiga, esperando a Lua cheia", disse o delegado.

Segundo informações não confirmadas, por populares, o Lobisomem sempre aparece em noite de Lua cheia e vai direto pra fazenda do Seu Carlos, pula a janela e entra para o quarto da garota.
           
Quem souber do paradeiro da garota, deve informa-la que os pais estão em casa esperando ela e dispostos a conversar sobre o relacionamento dela com o lobisomem.




Fonte: G17 é um site de humor que faz sátira dos portais de notícias!

sábado, 2 de novembro de 2013

Espíritos - Transformação Lobisomem

E você já brincou de cabo de força?
Pois bem, como todos sabem, existem diversos tipos de lobisomens no mundo, uma coisa que os diferencia muito uns dos outros é a personalidade, que varia da forma que a criatura foi criada, o local onde viveu, igualmente aos humanos, tais fatores são capazes de determinar a personalidade que a criatura terá e irá determinar o que é certo ou errado em sua mente.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Homem e o Jovem Lycan


Muitas eras atrás, em terras longínquas havia um jovem lycan que acabara de descobrir seu potencial. Os moradores da vila onde vivia este jovem se revoltaram contra ele pelo simples fato dele ser um lycan, pois ali na vila tudo que não fosse do cotidiano era atribuído a forças demoníacas.

Os aldeões afugentaram o jovem da vila e este foi por uma estrada bem rústica. Quando se cansou, sentou-se sobre uma pedra à margem da estrada e pôs-se a pensar sobre o ocorrido. Passado algum tempo ele avista uma figura de um homem, com medo de ser perseguido, se esconde atrás da pedra, mas o homem já o tinha visto e estava caminhando em sua direção dizendo:

- Não tenhas medo, nada te farei!

O jovem curioso pergunta:
- Por que não queres me matar como os outros aldeões?

O homem responde simplesmente:
- Não sou daqui! Mas por que querem te matar?

O jovem um pouco receoso diz:
- Sou uma aberração! Eles acham que só por que sou diferente vou lhes fazer mal.

O homem estava tão curioso que não se conteve e perguntou:
- Diferente como?

O jovem entristecido disse:
- Sou um Lycan!

E assume sua forma lycan ali na frente do homem que continua como se nada de diferente tivesse ocorrido.

O jovem estava abismado com a reação do homem e questiona:
- Por que não se assusta e foge como as outras pessoas?

O homem com um olhar sério e sincero diz:
- Por que eu deveria?

O jovem chocado responde aos berros:
- Acabei de dizer que sou uma aberração, me transformei num animal e você ainda me pergunta: Por quê?

O homem com apenas um olhar fez com que o jovem se calasse e o ouvisse:
- Sim, pois aos meus olhos e aos olhos de muitas pessoas você não é uma aberração e sim um ser que não se autocompreende ou apenas não quer se compreender.

O jovem estava tão assustado com a resposta que sentiu como se acabasse de receber um soco. E o homem ainda diz em seguida:
- Agora se anime, e vá pra casa para junto de sua família!

Um ar de tristeza e desolação toma conta do garoto que diz:
- Meu pai desapareceu há muitos anos e seu corpo nunca fora achado, minha mãe adoeceu no ano passado e faleceu dois meses depois e quando me expulsaram da vila atearam fogo à minha casa dizendo que era um lugar amaldiçoado.

O homem compartilhando da tristeza do jovem diz:
 - Então o que pretende fazer daqui em diante?

O jovem sem esperanças diz:
- Fazer o quê? Ficarei por aqui esperando a morte chegar.

O homem já enfurecido dá um soco no rosto do jovem que se transforma novamente naquele instante, mas ao tentar atacar o homem é dominado e o escuta dizer:
- Como se eu fosse deixar você morrer aqui!

Então ele arremessa o jovem lycan e começa um processo de transformação como se ali fosse ocorrer uma luta.


CONTINUA...

Autoria do grande amigo, Hugo Antônio.