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sábado, 9 de janeiro de 2016

O Lobo - Grande Matador - A Mitologia do Lobo - Parte IV



Então, até que ponto são reais os Homens-Lobos?

H.P.B. descreve-nos assim este fenômeno: “Fisiologicamente é uma doença ou mania, durante a qual uma pessoa se sente lobo e atua com tal. Ocultamente, significa o mesmo que a palavra inglesa “WerWolf”, a faculdade psicológica de certos feiticeiros de aparecer ou apresentar-se com aparência de lobos”.

Com efeito, alguns indivíduos psicóticos, imaginando ser lobos, comportaram-se de modo agreste e selvagem, rasgando carne crua, delirando, evitando o contato humano e deixando de se preocupar com a comodidade pessoal ou com a proteção contra os elementos naturais. Os relatos sobre este tipo de comportamento não são raros.

As sociedades antigas, que nos revelam claramente os seus mitos, sabiam que existia uma relação definida entre a lua e a violência. Mas, provavelmente, esta lenda recebeu ímpeto adicional no Séc. XVII, quando se tratava de confinar loucos e “lunáticos” a hospitais e prisões. Como vimos, alguns maníaco-depressivos podem ver estimulada a sua conduta maníaca mais frequentemente durante a lua cheia. Nesses momentos aceleram-se os seus processos vitais unidos a seus ataques de agressividade selvagem, o que reforçou a lenda do homem-lobo nos séculos passados. Até 1808 era comum, durante essa fase da lua, acorrentar e espancar os internos do famoso hospital Bedlam, em Londres, para “impedir a violência”.

Sem duvida a história demonstra que a sociedade foi muito cruel com essa figura patética do homem-lobo. H.P.B., por exemplo, fazendo um pouco de história disse textualmente: “Voltaire afirma que no departamento de Jura, no espaço de dois anos, entre 1598 e 1600, uns seiscentos licantropos foram sentenciados à morte por um juiz demasiado cristão. Isto não significa que os pastores acusados de heresia e vistos como lobos tivessem o poder de se transformar fisicamente nos ditos animais, mas simplesmente de que possuíam o poder hipnotizador de fazer crer as pessoas (ou aquelas que consideravam seus inimigos) que estavam a ver um lobo, quando na realidade não havia nenhum. O exercício de tal poder é verdadeira heresia”.

Os romanos chamavam lobas ás prostitutas, daí vem a palavra prostíbulo, e acreditavam também que a estranha metamorfose podia produzir-se se se encolerizava a aterradora Hécate. Os Xamanes e bruxos usaram sempre em seus ritos as formas de animais totémicos. É provável que a licantropia se tenha originado desse modo, pois o lobo foi um importante animal totémico. O professor Lieber, no seu estudo sobre o influxo da lua, afirma de modo taxativo: “Quando um homem é capaz de aceitar as tendências “lobitas” existentes no seu interior – sua herança evolutiva - , não necessita mais de uma vitima propiciatória, nem humana nem animal”.

Evidentemente, mais além das balas de prata disparadas ao coração e mais além dos espetaculares efeitos de maquiagem dos filmes, o homem-lobo tem uma realidade física e, mais ainda, esotérica.

O Lobo nas Iniciações Guerreiras

Tomando como ponto de partida a realidade esotérica do homem-lobo, vamos ver como a imitação ritual deste poderoso animal é um traço específico das iniciações guerreiras.

Em Esparta, durante a provação, o Couros lacedemônio vivia todo o ano como se fosse um lobo; oculto nas montanhas, alimentava-se do que roubava e tinha muito cuidado para que ninguém o visse. Entre os Koryakos e algumas tribos norte-americanas como os Kwakiult, antes de partir para a guerra, executavam as danças do lobo e a porta da cabana iniciática tinha a forma do focinho do animal. O guerreiro transformava-se em lobo como forma de preparação mágica para a guerra. Por isso Mircea Eliade disse: “Muitas lendas e crenças populares sobre o homem-lobo poderiam explicar-se por um processo de folclorização, quer dizer, pela projeção no mundo da fantasia de uns rituais concretos, xamânicos ou de iniciação guerreira”.

G. Dumèzil demonstrou a sobrevivência de certas iniciações guerreiras entre os celtas e os romanos, enquanto que H. Jeeanmaire encontrou rastos desses ritos iniciais entre os lacedemônios. Parece, assim, que os indo-europeus compartilhavam um sistema comum de crenças e de ritos próprios dos jovens guerreiros.

A iniciação guerreira consistia essencialmente na transformação do jovem guerreiro em “fera”. Não se tratava unicamente de bravura, força física ou capacidade de resistência, mas de uma experiência mágico - religiosa que modificava radicalmente o modo de ser do jovem guerreiro. Tratava-se de uma transformação ritual em lobo, a qual implicava a solidariedade mística com uma divindade da guerra capaz de se manifestar em forma de lobo (como por exemplo o deus Marte).

Entre os antigos germanos, os guerreiros-feras eram chamados Berserkir ou Berserks, literalmente “guerreiros revestidos de (serk) ossos”. Eram conhecidos como Ulfhedhnar, “homens com pele de lobo”. Desta forma o Berserk era possuído pelo “Wut”, o “furor heroicus” dos romanos. A mitologia viking diz-nos que só os guardiães principais de Odin podiam pertencer à fraternidade secreta dos guerreiros “berserkir”. Alguns historiadores afirmam que, com o decorrer do tempo, ao perder-se a verdadeira implicação esotérica, os berserkir eram simplesmente guerreiros que adotavam formas brutais, comendo carne crua e proferindo alaridos que provocavam a aversão dos seus próprios companheiros.

Nas legiões romanas também se concedia de modo seletivo a pele de lobo. De fato, só punham a pele de lobo soldados de classe especial, como o Cornicem ou Corneta e os Signifer ou Porta-estandarte dos Signum. Apesar de em épocas diferentes ter sido a vestimenta de campanha de corporações inteiras de soldados de Velites ou soldados de infantaria ligeira. A assimilação da pele de lobo como indumentária própria de alguns elementos das legiões romanas parece ter sido por influência dos Dacios do Danúbio, segundo Eliade.

 Os textos irídios falam repetidas vezes de “lobos de duas patas”, afirmando, inclusivamente, que os lobos de duas patas são mais mortíferos que os de quatro patas. Neste caso referiam-se aos membros dos Männerbünde ou fraternidades secretas de guerreiros irídios.

Podemos concluir dizendo que a procura desse “furor heroicus” do lobo, a imitação ritual dessa valorosa criatura, colocando em si a sua pele, foi um fenômeno amplamente difundido entre os melhores guerreiros desde a mais remota antiguidade; acrescento que na década dos anos vinte, o movimento “nazi” na Alemanha, formou a “organização dos homens-lobos”. (Recordemos que “lobo” era o sobrenome de Adolfo Hitler). Supõe-se que no fim da 2ª Guerra Mundial esta organização continuou lutando em guerrilha contra os aliados. Nada se sabe sobre a sua organização interna, desconhecemos se praticavam algum tipo de cerimonial, mas é evidente que os seus membros tinham bastantes problemas em conseguir manter-se vivos e ocultos nas montanhas. 

Fique então, como conclusão, que esse furor heroico que o guerreiro procurou através dos séculos, não foi mais do que a necessidade dessa força imparável, dessa potencia natural, desse lobo enfurecido capaz de arrasar as barreiras que a matéria opõe à elevação do ser humano no seu aspecto espiritual. O furor heroico do lobo não se pode ver, num ser humano, como a brutalidade ou destruição cega, sinal claro de ínfima evolução. É a própria consciência espiritual do sagrado Marte, o Deus-lobo, que arremete de forma consciente e imparável contra o pior inimigo do guerreiro, que é sem duvida a parte mais baixa de si mesmo. O guerreiro místico de todos os tempos sabia que esse grande lobo estava latente no seu interior e que podia enaltecer-se à voz do grande deus, à voz do “lobo supremo”; por isso disse certa vez: Ares vigilia! 

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O Lobo - Grande Matador - A Mitologia do Lobo - Parte III

O Lobo Como Símbolo dos Fugitivos

Em consequência da implacável guerra que o homem lhe declarou, o lobo tem sobrevivido como o eterno fugitivo graças à sua notável inteligência e inesgotável resistência física. Os velhos “armadilhões” de sempre conhecem a dificuldade de enganar os lobos com as suas artimanhas de armadilhas e ratoeiras; parecem ter um sexto sentido para detectar estes perigos, evitando-os a tempo, como se Marte os quisesse proteger a todo o custo. Este fato foi desde sempre conhecido.

Entre numerosas populações indo-europeias, os emigrados, exilados e fugitivos eram apelidados de “lobos”. Já nas leis Hititas se dizia de um proscrito que “se havia convertido em lobo”. Nas leis de Eduardo, o Confessor, o proscrito tinha de levar uma máscara de lobo (wolfhede). O patíbulo era designado em anglo-saxão “árvore da cabeça do lobo”. Numerosos deuses protetores dos exilados e dos proscritos ostentavam atributos ou nomes relacionados com o lobo. Como vimos, é o caso de Zeus Lykoreios e Apolo Lykeios. Rómulo e Remo, filhos do deus-lobo Marte e amamentados pela loba do Capitólio, também foram fugitivos desde a mais tenra infância. Segundo a lenda, Rómulo teria estabelecido no Capitólio um lugar de asilo para exilados e proscritos. Sérvio disse-nos que este “asylum” se encontrava sob proteção do deus Lucoris, que se identificava com o Lykoreus de Delfos. A tradição narra a aventura de Lopichis, antepassado do historiador Paulo Diácono que sendo prisioneiro dos Avaros, evadiu-se e foi guiado por um lobo até a sua pátria, Itália.

Há motivos para acreditar que são esses ritos e crenças, intimamente relacionados com uma ideologia guerreira, que tornaram possível a assimilação dos fugitivos, exilados e proscritos aos lobos. Para poder subsistir, esses proscritos comportaram-se como os bandos de jovens guerreiros, ou seja, como verdadeiros lobos. É sabido que, até ao século XIX, as reuniões de jovens continuaram a incluir um banquete com víveres roubados a viva força, atemorizando as aldeias.

Licantropia, a Lenda do Homem-Lobo

O que é a licantropia? Usemos o sofrido dicionário, supostamente da Real Academia, que diz o seguinte: Licantropia, mania na qual o enfermo imagina estar transformado em lobo.

Será possível? O Satiricon oferece-nos uma versão completa do mito do homem-lobo. Efetivamente, um dos primeiros relatos desta metamorfose maligna aparece num dos contos de Petrônio. Um livro não menos divertido e maravilhoso, As mil e Uma Noites, no seu capitulo sétimo, conta o que Basco Ibañez traduz como “História do príncipe e a vampira”, mas como os vampiros nunca devoraram, mas apenas sugaram as suas vitimas, é evidente que se trata de uma mulher loba. Inclusive o seu afã de matar o príncipe e alimentar os seus cachorros com sangue fresco, é instintos de loba, a qual reparte sempre a presa com os seus cachorros. Platão e o historiador Heródoto, já tinham falado da licantropia. Eles mencionaram também o acônito, essa planta de dupla utilização que por um lado induz o homem a converter-se em lobo e por outro o cura da licantropia.

Os nossos antepassados não puderam deixar de observar que o lobo tem uma relação especial com a lua. Os uivos do “noivo de Hécate” pela sua amada deviam ser uma serenata constante para os homens que seguiam as matilhas selvagens. Sob a luz brilhante da lua cheia, os lobos comunicam por meio de uivos e assim se reúnem para caçar. A lua constitui uma grande vantagem para o predador noturno, e o homem emulou o seu concorrente. A lenda da licantropia persiste porque o lobo teve um papel importante no desenvolvimento dos hábitos humanos de caça. O professor e psicólogo, Robert Eisler, assegura que a lenda do homem-lobo procede de um passado obscuro: quando os homens aprenderam a caçar.

Sem dúvida, Robert Graves escreveu que os guardadores de gado da antiga Arcádia conceberam um papel diferente para o homem-lobo, mais alinhado com as necessidades do seu modo de vida. Segundo a teoria religiosa Arcádia, enviava-se um homem a viver com os lobos, este se convertia em homem-lobo durante oito anos e persuadia os lobos a deixarem tranquilos os gados dos homens e os seus filhos. Segundo a mitologia, Licaón, o primeiro rei de Arcádia foi convertido em lobo por oferecer a Zeus o corpo de uma criança habilmente cozinhado. Na Arcádia tinham o costume de imolar uma pessoa e, os assistentes do ato “comungavam” devorando as suas entranhas. Ficavam então convertidos em lobos e conservavam essa forma por oito anos, após os quais recuperavam a figura humana se durante esse tempo não tivessem comido carne humana.

Na França há muitos relatos de seres que, à luz da lua, têm o poder de chamar e dirigir matilhas de lobos. Os que estudaram o comportamento destes cães selvagens sabem que um ser humano pode constituir-se líder de uma matilha nas mentes dos lobos. Algumas pessoas reuniram matilhas de lobos, como o personagem de Kipling no “O Livro da Selva”. Recordemos os trabalhos realizados sobre este tema pelo Dr. Rodríguez da Fuente e outros naturistas espanhóis.

A necessidade de se defender do lobo é um fato ancestral que deu origem a rituais religiosos, de tal forma que, no arcaísmo das religiões greco-latinas, encontramos divindades e gênios protetores do gado. Esse é o caso de Pan e dos faunos. Na mitologia Vascã, temos um curiosíssimo gênio protetor; de nome Basajaun, senhor dos bosques. A lenda descreve-o alto, com forma humana e coberto de pelos. Quando este gênio está perto não há perigo de que um lobo se aproxime. A sua presença é anunciada pelas ovelhas com a sacudidela simultânea dos seus sinos. Apesar de se tratar de um homem-lobo de grandes dimensões, tem boas intenções.

De qualquer modo, na península, é na Galiza onde está mais arreigada a lenda do “lobisomem”. Na Europa a lenda é muito popular na Alemanha, e em especial na zona dos Balcãs e dos Cártamos.


Em todos os lugares por onde o lobo tenha vagueado, as pessoas contaram histórias estarrecedoras de homens e mulheres que assumiam a forma de lobos e se alimentavam de gado e de seres humanos. Apesar de em quase todo o mundo se pôr em duvida as histórias de autentica transformação física, não podemos deixar de observar que uma lenda tão disseminada deve representar uma verdade cultural e de comportamento. A maioria dos cientistas rejeitou totalmente os homens-lobo enquanto sujeitos dignos de investigação devido aos preconceitos existentes contra tudo o que signifique transformação mágica.

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Saramandaia (Remake)

Programado um remake para 2013, teremos um incrível retorna de uma novela que promete para trazer grandes novidades, situadas em um vilarejo fictício na Zona Canavieira Baiana, que acaba passando por um Plebiscito para mudanças nas cidades encabeçadas por duas facções rivais: Uma que utiliza todos os contextos históricos para manter o nome de "Bole-Bole" na cidade e a outra alega sentirem vergonha neste nome e desejam mudar o nome para Saramandaia.

Porém algo que chama a atenção é o fogo de alguns "fatos paranormais" acontecerem nessa cidade, o caso de um professor que é um lobisomem nas noites de lua cheia; o caso de uma mulher que coloca fogo em tudo que encosta e também de uma mistérios. Como é o caso de Gibão que possui, debaixo de sua corcunda um par de asas.

E como o nosso foco são os lobisomens, então preparem-se para descobrir que a pessoa que representará a raça será ele... o Ator Gabriel Braga Nunes, que participou de vários sucessos da Rede Record (Mutantes, Caminhos do Coração e Poder Parelelo) e também na Rede Globo, como foi nas novelas Amor Eterno Amor (2012) e Insensato Coração, ele foi escolhido para Interpretar o Professor Aristóbulo no Remake dessa novela de sucesso.

Em análise inicial, vejo que vai ser um grande remake, afinal desde o grande sucesso de Avenida Brasil, a Globo voltou a investir ainda mais em suas produções, e essa ideia de trazer antigas novelas ao nosso dia-a-dia por ser perfeita. Para quem nem era nascido na época.

Abaixo a Abertura Original da Novela.

Eu pretendo acompanhar do início ao fim somente para aprender um pouco mais sobre esse universo, pois atualmente, é bem raro encontrarmos referências lupinas em novelas. Então Galera, curtam esse futuro sucesso que estréia em 2013.

Atualização 25/2/2013

Vocês se recordam de Saramandaia (1976), uma novela da Rede Globo que ganhou uma nova versão que tem previsão de Estréia para o Segundo semestre deste ano? Pois bem,  como poucos sabem quem vai interpretar o Lobisomem da história, o Professor Aristóbolo, é o grande Ator Gabriel Braga. O fato que ocorreu é que a Rede Globo contratou uma equipe que atuou no grande "Harry Potter".

O fato ocorre devido ao Professor possuir muitas transformações ao longo da novela, com o objetivo de melhorar os efeitos especiais, deixando mais real e tirando aquela transformação 'sem graça'. Mas a equipe não ficará restrita somente ao professor não. Também atuaram no resto da novela, especula-se que o motivo principal seja realmente o Professor. Resta aguardar o retorno dessa novela maravilhosa.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Homem Lobo




Houve um tempo em que o céu já não ficava tão claro, o sol estava quase morto. Os dias eram escuros, as noites mais ainda. A humanidade ainda mais egoísta e trapaceira que antes, estava mais difícil ainda de se viver em um mundo desses...

A sociedade nunca mudou, continuava injusta. A tecnologia avançou e a Era cyber estava longe de terminar. Armas mais fortes, doenças mais fortes, computadores eram coisas do passado... A Era dos robôs começara há muito tempo.

Humanos se tornavam metade robóticos por perderem um braço e colocarem um robótico no lugar, mas isso era pra quem tinha dinheiro... Uma coisa mudou agora, não tinha mais tanto aquele preconceito com classe social, pois...

Os pobres morriam mais cedo.

Nesses tempos um garoto estava correndo pelas ruas, com uma mascara qualquer no rosto, talvez por não se expuser as novas doenças. Calça e tênis esfarrapados, pretos. Sem camisa, pois nunca teve uma. Aprendeu a superar o frio, porque blusa incomodava. O dia todo trabalhava para pessoas ricas e corruptas levando coisas as escuras, mas odiava fazer isso. Só que se não fizesse, como ele iria sobreviver? Mesmo sendo 100% humano, ele se sentia um robô. Odiava robôs, eram monótonos.

Ele dormia num prédio abandonado e no subsolo, havia um colchão rasgado encostado num canto, alguns cadernos e lápis jogados e um velho violão. Tão velho quanto o menino.  Todo dia levantava com fome, corria para os seus chefes e já começava a trabalhar, levando desde cartas e drogas de um lado pro outro. No final do dia, tinha uns trocados para tomar um copo de leite e algumas bolachas, não eram das melhores, mas aprendeu a comer isso, logo já não sentia o gosto.
E o todos os dias isso se repetia...

Quando voltava pra casa, as únicas horas em que se sentia humano era junto do violão e do caderno... Escrevia musicas, as tocava e cantava. Todas as músicas eram inteligentes e que atingiam a sociedade, ninguém poderia ver aquilo, talvez fosse preso por isso. Preso por ter liberdade de pensamento, por não ter medo de escrever.

Mais um dia de trabalho, indo e vindo dos lugares. Becos escuros, casas chiques, lugares pobres, lugares ricos, lugares iluminados, lugares fedidos. Um dos chefes o mandou entrar, deu ao garoto uma mascara robótica, com varias utilidades e disse que de agora em diante sempre que fosse pegar sua mercadoria e entregar, ele não deveria retirar a mascara. Deu-lhe dois pares de luvas e disse que se perdesse algum estaria tudo bem, mas se perdesse os dois, iria fazer a entrega correndo risco de ficar com alguma mutação nas mãos, as coisas de agora seriam tóxicas e deveriam ser entregues em perfeitas condições, com muito cuidado e sem ninguém saber. Não deveriam ver nem sua sombra.

O menino ficou assustado no inicio, ele também odiava o trabalho, trabalhar para ladrão era pior do que tudo se sentia irado por dentro, tinha que aceitar o que ele tinha.

Aceitou o trabalho. Chefe o mandou embora, mas lhe deu um troco a mais dessa vez, disse que receberia mais agora e disse que se o menino lhe causa-se problemas, não era só o dinheiro que ele lhe cortaria.

Saindo da mansão o garoto viu uma garota: Baixinha, cabelos escuros, olhos castanhos, branquinha... Naquele momento soube que queria voltar na casa mais vezes. Quis falar com a menina, só sabia que isso traria problemas. A menina o viu saindo, ele criou coragem de acenar e saiu ao sair deparou-se com a mulher do chefe, ela disse ao menino para nunca se aproximar de sua filha ou ele seria degolado.

O menino partiu, com raiva nos olhos e um sorriso no rosto. Estava cansado de ser pouco e fraco, era hora de fazer o que ele queria.

Cumpriu seu trabalho muito bem por um mês, naquele mês não viu a menina. Quando um dia, estava voltando pra casa, tirou um desenho do bolso. Era ele, só que mais velho e com um lobo atrás.

Era assim que se imaginava, um Lobo. Era assim que o chamavam, ninguém sabia seu nome, se recusava a dizer. Tinha algumas cicatrizes nas costas, apanhou quando não respondeu seu nome aos chefes. Então concluíram que iriam lhe chamariam de lobo, pois o garoto tinha a garra, a sabedoria e rebeldia de um. Talvez a capacidade de amar de um, contudo nunca descobriu. Parou. A garota estava do lado de fora dessa vez, olhando a cidade de cima do morro cheia de luzes ainda sim escura e sombria.

Lobo foi até ela e disse:

-A cidade é tão assustadora quanto os filmes de terror que eles criam - e ela perguntou o porquê ele diz isso, ele respondeu - Porque mesmo cheia de luzes,ela é tão escura quanto o céu de noite.

 Ela viu o papel na mão dele e pediu pra ver, ele hesitou um momento, então deu a menina.

Ouviu o pai dela chamar, então Lobo correu tão rápido como se estivesse para perder a vida, talvez estivesse, pois ele sabia que não devia falar com ela. Ela respondeu ao pai e voltou pra casa, olhando mais uma vez pra trás, mas não havia mais vida ali. Apenas o vento fazendo seu som estranho e assustador de sempre.

Nos outros dias lobo foi todos os dias trabalhar ansioso pra tentar ver ela, mas demorou dias novamente até que ele a visse. Quando a viu d novo, escondida fora de casa. Ele se aproximou e sentou ao lado dela e perguntou:

- Tem medo de mim?
- Não
- Tem raiva de mim?
- Não
- Então você é diferente de seus pais – Ele respondeu, olhando pro céu.

Ele estava tímido, mas pensou em todas as vezes que se comportou como um robô... Apenas, acordando, trabalhando, comendo, tomando banho e dormindo. Então ele esqueceu sua timidez e disse a menina:

- Você é linda.

Ela ficou sem jeito e não respondeu. Ficaram em silêncio por muito tempo.

Ela sussurrou:
- Lobo.

Ele perguntou:

- O que?
- O desenho tem um lobo atrás daquele homem.
-Eu serei aquele homem, e lobo... Eu já sou...

Ela sorriu e ele acabou sorrindo junto.

- Porque me trata normal em vez parecer rude como seus pais?
- Porque você é humano como eu.
- Você é diferente.
- Você também.
***

Desde então todos os dias os dois se encontravam por alguns instantes depois do trabalho dele. Coisa que ele passou a fazer com gosto todos os dias, pois parecia cada vez mais animado. Um dia ele pegou a mão dela e a puxou pra mais perto em um abraço, mesmo sem saber a reação da mesma.

Ela não disse nada. Ele sussurrou:

- Quer ser a minha namorada?
- Mas os meus pais...
 - Você me ama?
- Amo...
- Quer ser minha namorada?
- Quero...
- Aceita eu como eu sou?
- Sim
***
O menino tornou-se um homem... O homem q disse que seria e seu codinome começou a ser reconhecido. Ele ficou forte e o seu trabalho mesmo no começo não sendo reconhecido, com o tempo foi reconhecido e as pessoas ruins tinham interesse nele. Ele se odiava por isso, mas ele mudaria. Ele cresceu como um lobo, e a partir do momento em que escolheu sua amada, nunca mais a deixaria. Seu chefe, não era mais rude, pois o menino se tornou um homem melhor que muitos deles. E o que ele disse a menina naquele ultimo dia de trabalho foi:

- Eu quero que se case comigo, agora não sou mais um nada como eu era antes, pois eu cresci e amadureci por você. Eu sou Lúcio. Tornei-me um deles, mas não como eles. Eu vou mudar as pessoas, do meu jeito. Espero que goste de música. A partir de hoje, quero que seja minha mulher e confie em mim.

- Eu sou sua --Sorriu.

- Eu serei o seu lobo e a protegerei de tudo, minha loba, Letícia.


 Autoria: L. Wolf