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sábado, 9 de janeiro de 2016

O Lobo - Grande Matador - A Mitologia do Lobo - Parte IV



Então, até que ponto são reais os Homens-Lobos?

H.P.B. descreve-nos assim este fenômeno: “Fisiologicamente é uma doença ou mania, durante a qual uma pessoa se sente lobo e atua com tal. Ocultamente, significa o mesmo que a palavra inglesa “WerWolf”, a faculdade psicológica de certos feiticeiros de aparecer ou apresentar-se com aparência de lobos”.

Com efeito, alguns indivíduos psicóticos, imaginando ser lobos, comportaram-se de modo agreste e selvagem, rasgando carne crua, delirando, evitando o contato humano e deixando de se preocupar com a comodidade pessoal ou com a proteção contra os elementos naturais. Os relatos sobre este tipo de comportamento não são raros.

As sociedades antigas, que nos revelam claramente os seus mitos, sabiam que existia uma relação definida entre a lua e a violência. Mas, provavelmente, esta lenda recebeu ímpeto adicional no Séc. XVII, quando se tratava de confinar loucos e “lunáticos” a hospitais e prisões. Como vimos, alguns maníaco-depressivos podem ver estimulada a sua conduta maníaca mais frequentemente durante a lua cheia. Nesses momentos aceleram-se os seus processos vitais unidos a seus ataques de agressividade selvagem, o que reforçou a lenda do homem-lobo nos séculos passados. Até 1808 era comum, durante essa fase da lua, acorrentar e espancar os internos do famoso hospital Bedlam, em Londres, para “impedir a violência”.

Sem duvida a história demonstra que a sociedade foi muito cruel com essa figura patética do homem-lobo. H.P.B., por exemplo, fazendo um pouco de história disse textualmente: “Voltaire afirma que no departamento de Jura, no espaço de dois anos, entre 1598 e 1600, uns seiscentos licantropos foram sentenciados à morte por um juiz demasiado cristão. Isto não significa que os pastores acusados de heresia e vistos como lobos tivessem o poder de se transformar fisicamente nos ditos animais, mas simplesmente de que possuíam o poder hipnotizador de fazer crer as pessoas (ou aquelas que consideravam seus inimigos) que estavam a ver um lobo, quando na realidade não havia nenhum. O exercício de tal poder é verdadeira heresia”.

Os romanos chamavam lobas ás prostitutas, daí vem a palavra prostíbulo, e acreditavam também que a estranha metamorfose podia produzir-se se se encolerizava a aterradora Hécate. Os Xamanes e bruxos usaram sempre em seus ritos as formas de animais totémicos. É provável que a licantropia se tenha originado desse modo, pois o lobo foi um importante animal totémico. O professor Lieber, no seu estudo sobre o influxo da lua, afirma de modo taxativo: “Quando um homem é capaz de aceitar as tendências “lobitas” existentes no seu interior – sua herança evolutiva - , não necessita mais de uma vitima propiciatória, nem humana nem animal”.

Evidentemente, mais além das balas de prata disparadas ao coração e mais além dos espetaculares efeitos de maquiagem dos filmes, o homem-lobo tem uma realidade física e, mais ainda, esotérica.

O Lobo nas Iniciações Guerreiras

Tomando como ponto de partida a realidade esotérica do homem-lobo, vamos ver como a imitação ritual deste poderoso animal é um traço específico das iniciações guerreiras.

Em Esparta, durante a provação, o Couros lacedemônio vivia todo o ano como se fosse um lobo; oculto nas montanhas, alimentava-se do que roubava e tinha muito cuidado para que ninguém o visse. Entre os Koryakos e algumas tribos norte-americanas como os Kwakiult, antes de partir para a guerra, executavam as danças do lobo e a porta da cabana iniciática tinha a forma do focinho do animal. O guerreiro transformava-se em lobo como forma de preparação mágica para a guerra. Por isso Mircea Eliade disse: “Muitas lendas e crenças populares sobre o homem-lobo poderiam explicar-se por um processo de folclorização, quer dizer, pela projeção no mundo da fantasia de uns rituais concretos, xamânicos ou de iniciação guerreira”.

G. Dumèzil demonstrou a sobrevivência de certas iniciações guerreiras entre os celtas e os romanos, enquanto que H. Jeeanmaire encontrou rastos desses ritos iniciais entre os lacedemônios. Parece, assim, que os indo-europeus compartilhavam um sistema comum de crenças e de ritos próprios dos jovens guerreiros.

A iniciação guerreira consistia essencialmente na transformação do jovem guerreiro em “fera”. Não se tratava unicamente de bravura, força física ou capacidade de resistência, mas de uma experiência mágico - religiosa que modificava radicalmente o modo de ser do jovem guerreiro. Tratava-se de uma transformação ritual em lobo, a qual implicava a solidariedade mística com uma divindade da guerra capaz de se manifestar em forma de lobo (como por exemplo o deus Marte).

Entre os antigos germanos, os guerreiros-feras eram chamados Berserkir ou Berserks, literalmente “guerreiros revestidos de (serk) ossos”. Eram conhecidos como Ulfhedhnar, “homens com pele de lobo”. Desta forma o Berserk era possuído pelo “Wut”, o “furor heroicus” dos romanos. A mitologia viking diz-nos que só os guardiães principais de Odin podiam pertencer à fraternidade secreta dos guerreiros “berserkir”. Alguns historiadores afirmam que, com o decorrer do tempo, ao perder-se a verdadeira implicação esotérica, os berserkir eram simplesmente guerreiros que adotavam formas brutais, comendo carne crua e proferindo alaridos que provocavam a aversão dos seus próprios companheiros.

Nas legiões romanas também se concedia de modo seletivo a pele de lobo. De fato, só punham a pele de lobo soldados de classe especial, como o Cornicem ou Corneta e os Signifer ou Porta-estandarte dos Signum. Apesar de em épocas diferentes ter sido a vestimenta de campanha de corporações inteiras de soldados de Velites ou soldados de infantaria ligeira. A assimilação da pele de lobo como indumentária própria de alguns elementos das legiões romanas parece ter sido por influência dos Dacios do Danúbio, segundo Eliade.

 Os textos irídios falam repetidas vezes de “lobos de duas patas”, afirmando, inclusivamente, que os lobos de duas patas são mais mortíferos que os de quatro patas. Neste caso referiam-se aos membros dos Männerbünde ou fraternidades secretas de guerreiros irídios.

Podemos concluir dizendo que a procura desse “furor heroicus” do lobo, a imitação ritual dessa valorosa criatura, colocando em si a sua pele, foi um fenômeno amplamente difundido entre os melhores guerreiros desde a mais remota antiguidade; acrescento que na década dos anos vinte, o movimento “nazi” na Alemanha, formou a “organização dos homens-lobos”. (Recordemos que “lobo” era o sobrenome de Adolfo Hitler). Supõe-se que no fim da 2ª Guerra Mundial esta organização continuou lutando em guerrilha contra os aliados. Nada se sabe sobre a sua organização interna, desconhecemos se praticavam algum tipo de cerimonial, mas é evidente que os seus membros tinham bastantes problemas em conseguir manter-se vivos e ocultos nas montanhas. 

Fique então, como conclusão, que esse furor heroico que o guerreiro procurou através dos séculos, não foi mais do que a necessidade dessa força imparável, dessa potencia natural, desse lobo enfurecido capaz de arrasar as barreiras que a matéria opõe à elevação do ser humano no seu aspecto espiritual. O furor heroico do lobo não se pode ver, num ser humano, como a brutalidade ou destruição cega, sinal claro de ínfima evolução. É a própria consciência espiritual do sagrado Marte, o Deus-lobo, que arremete de forma consciente e imparável contra o pior inimigo do guerreiro, que é sem duvida a parte mais baixa de si mesmo. O guerreiro místico de todos os tempos sabia que esse grande lobo estava latente no seu interior e que podia enaltecer-se à voz do grande deus, à voz do “lobo supremo”; por isso disse certa vez: Ares vigilia! 

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PARTE I 
PARTE II
PARTE III 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O Lobo - Grande Matador - A Mitologia do Lobo - Parte II

Lobos Enviados Pelos Deuses

Do mesmo modo que determinados animais, como a águia e o corvo, exercem uma função oracular específica, são numerosas as lendas greco-latinas nas quais o lobo surge como um prodígio enviado pelos deuses em função de um presságio. Esse é o caso de Dânao: encontrando-se frente a frente, Dânao e Gelanor, a ponto de iniciar um combate decisivo, ao amanhecer um lobo saiu do bosque e precipitou-se sobre um rebanho que passava por diante da cidade. Saltou sobre o touro, dominou-o, e finalmente matou-o. Os argivos, impressionados pela semelhança de Dânao com esse lobo, viram nesse prodígio a vontade divina e elegeram Dânao como rei dos Argos. Este ergueu um santuário a Apolo Lício.

Também Psamate – nereida mãe de Foco – enviou contra os rebanhos de Peleo, que o haviam morto, um lobo furioso que foi convertido em pedra.

Perto do monte Soratte – montanha que eleva ao norte de Roma – viviam “os lobos de Sora” (Hirpi Soranii). Sobre esta confraria de lobos, que dançavam descalços sobre brasas de carvão, contava-se uma curiosa lenda conservada por Sérvio: Numa ocasião em que os habitantes do Soratte se encontravam oferecendo um sacrifício a Dis Pater, irromperam vários lobos que subtraíram das chamas pedaços de carne das vítimas. Os oficiantes lançaram-se em sua perseguição e após uma longa estrada, viram como desapareciam penetrando numa caverna da qual saia um fedor pestilento. Era tão espantoso o fedor, que não só matou os perseguidores como também espalhou uma epidemia por toda a comarca. Interrogou-se o oráculo e este respondeu que, para serenar os deuses, os habitantes deveriam “tornar-se semelhantes a lobos”, ou seja, viver da rapina. Segundo Plínio o seu rito anual de caminhar com os pés descalços sobre as brasas era considerado como uma garantia de fertilidade para o país; fazendo-o ficavam isentos de pagar impostos e do serviço militar.

Povos Sob o Signo do Lobo

Entre os indo-europeus, muitos foram os povos que surgiram a partir do lobo. Ao sul do mar Cáspio estendia-se Hircania, literalmente “país de lobos”. Em Frigia temos a tribo dos Orka (Orkoi); na Arcádia os Lyhaones; na Ásia Menor a Lucaonia. Um povo itálico, os Hirpinos, tem o lobo como animal originário; segundo Estrabón, os Hirpinos receberam o seu nome do lobo que lhes serviu de guia até ao seu novo aldeamento; diz este autor que Hirpus é o nome samnita do lobo, tradição também testemunhada por Festo. O homem da tribo samnita dos Lucanos, vizinhos dos Hirpinos, derivava, segundo Heraclito de Ponto, de Lykos, lobo em grego.

Mircea Eliáde assegura que em regiões tão distintas como Irlanda, Inglaterra e Espanha existiram tribos com nomes alusivos ao lobo, como os Loukentioi e Lucenses na Gália Celtibérica.

Na Ásia Central conhece-se, com numerosas variantes, o mito da união entre um lobo sobrenatural e uma princesa, que haveria dado origem a um povo ou dinastia. Os Tu-Kiu, um ramo dos Hiong-nu, afirmavam proceder de uma loba mítica. Em cada ano, o Khan dos Tu-Kiu oferecia um sacrifício à loba na mesma gruta onde, segundo se queria, havia parido. Os membros da guarda pessoal do rei eram chamados de lobos e durante o combate levavam um estandarte rematado pela figura de uma loba dourada. No “Livro Secreto dos Mongóis” podemos ler textualmente sobre os remotos princípios de seu passado:

Uma vez um lobo azul baixou do céu. 

Casou com uma corça. 
E vieram os dois, 
Passaram as águas imensas, 
Acamparam onde nasce Onón, 
Sob o monte de Burjan Jaldún. 
Assim nasceu Batachiján.


A partir deste primeiro homem, desta primeira semente, segue a linha até surgir um personagem decisivo na história do mundo e criador de um grande império, talvez o maior da História: o seu nome é Genghis Khan.

Temos irremediavelmente de voltar a socorrer-nos da erudição de Eliade, o qual fez um estudo exaustivo sobre lendas de lobos, tão vinculadas a seu país de origem, Roménia. Parece que os primitivos habitantes da região dos Cárpatos, os Dácios, foram inicialmente chamados de Daoi, o que significa “semelhantes a lobos”, da raiz Dhau, “apertar, estreitar, estrangular”. Este importante povo, com o lobo em seu estandarte, foi capaz de mobilizar cerca de 200.000 homens, segundo Estrabão. Júlio César compreendeu muito bem o perigo que representava esta nova potência militar e preparava-se para atacar os “lobos do Danúbio” quando foi assassinado. Mas a história tem caminhos tão estranhos como curiosos, e sobre isso Elíade escreve textualmente:

É significativo o fato de que o único povo que conseguiu vencer definitivamente os Dácios, que ocupou e colonizou o seu território e lhe impôs a sua língua, foi o povo romano, um povo cujo mito genealógico se formou em torno de Rómulo e Remo, filhos do deus-lobo Marte, amamentados pela loba do Capitólio. O povo romano foi resultado dessa conquista e assimilação. Na perspectiva da história mitológica poderíamos dizer que esse povo foi engendrado sob o signo do lobo, ou seja, que está destinado ás guerras, invasões e migrações. O lobo apareceu pela terceira vez no horizonte mítico da história dos daco-romanos e de seus descendentes. Com efeito, os principados romanos fundaram-se como sequela das invasões de Genghis Khan e de seus sucessores.


E já vimos qual foi a origem do grande mongol.

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O Mal Agouro


Sempre me fora dito que os corvos são criaturas malignas que só trazem desgraça e morte por onde passam.


Nunca acreditei em tais lendas, afinal, são apenas lendas. Porém sempre notei um curioso fato, sempre que alguém morria em algum lugar havia um corvo perto de seu corpo ou até mesmo pessoas que vieram a morrer tempos depois eram vigiadas de longe por um corvo.


Com o passar do tempo nosso pequeno e pacato reino se envolveu em uma terrível e sangrenta guerra com um reino vizinho. A partir de então eu via muitos corvos e com uma frequência assustadora. Não tardou muito para que eu fosse recrutado a lutar nos campos de batalha. A guerra já durava anos e não acontecia nada além de sangue, morte de ambos os lados... e é claro, os corvos.

A situação começou a me desesperar quando passei a ter como primeira visão todos os dias ao acordar um corvo negro de olhos vermelhos comendo carne de um cadáver ou até mesmo com o bico e as penas manchados em sangue. Essa guerra tinha que acabar logo ou não haveria sobreviventes, pois nos anos que se passaram já haviam morrido tantas pessoas que dezenas, não, centenas de vilas e vilarejos de ambos os reinos encontravam-se desertos.

Guerreamos com bravura por tanto tempo que atacar com a espada e defender com nossos escudos eram o praticamente gestos automáticos, fazíamos isso sem nem perceber. Porém, um a um meus companheiros foram abatidos ou pelos inimigos, ou por doenças ou pela exaustão. Foi horrível!

Não tardou muito até que nossos exércitos se resumiram a um único homem de cada lado. Eu e o rei inimigo, Meu rei infelizmente havia morrido com uma flecha certeira no coração. Hoje, num dia nublado, num campo aberto, estávamos apenas eu, meu inimigo e é claro, os corvos. Poucos metros a minha frente havia uma espada cravada no com a lâmina no chão e apoiando-se sobre o punho havia um corvo visivelmente sábio, com suas penas negras como a mais profunda noite e seus olhos mais vermelhos que sangue ou brasas.

Ao primeiro pio do corvo disparei na direção de meu inimigo tão rápido que antes mesmo que ele percebesse eu já o tinha transpassado com a espada, cortando seu coração ao meio. Deixei o corpo cair para trás no chão sem que eu retirasse minha espada. Sentindo-me vitorioso virei-me a volta dando um urro de vitória com meu braço direito estendido aos céus tempestuosos. Percebi que o corvo ainda estava repousado tranquilamente na espada e me observava com interesse, após seu pio eu senti a exaustão e a dor de todos os ferimentos que tantos anos de batalha me atacando todos ao mesmo tempo.

Desabei no chão caindo de costas e vi o corvo alçar voo em minha direção e pousar em minha barriga, senti a agonia de suas garras caminhando até que ele estivesse parado em meu peito me olhando no fundo do olhos como se pudesse ver minha alma com aqueles olhos vermelhos e brilhantes. Minha visão escureceu e antes de eu perder a consciência ouvi o corvo falando em minha mente.

 "Hoje a vitória não pertence a você!"

Essa é a última coisa de que me lembro...


Autor: Hugo Antônio

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Lupercália



Etimologia e Origem

O nome da festa supõe-se derivar de lupus (lobo). Dizia-se ter sido instituída por Evandro o árcade, mas é possível que existisse desde o período pré-romano. Realizavam-na na na gruta de Lupercal, no monte Palatino (uma das sete colinas de Roma). Teria sido onde, segundo a tradição, Pã- também chamado Fauno Luperco (o que protege do lobo), em cuja honra se fazia a festa -- tomou a forma duma loba e amamentou os gémeos Rómulo e Remo.

Desenvolvimento

A festa da Lupercália simbolizava a purificação que devia acontecer em Roma ao fim do ano (que começava em Março). Anualmente, um corpo especial de sacerdotes, os luperci sodales (amigos do lobo) eram eleitos entre os patrícios mais ilustres da cidade.

Na data prevista, então, os lupercos daquele ano encontravam-se na gruta Lupercal para sacrificarem dois bodes e um cão e serem ungidos na testa com o sangue, limpado da lâmina do sacrifício com um lã embebida em leite. Vestiam-se então do couro dos animais, simbolizando Fauno Luperco, do qual arrancavam tiras, chamadas februa, com as quais saíam ao redor da colina a chicotear o povo, em especial as mulheres inférteis, que se reuniam para assistir o festival.

Significados

A Lupercália era uma festa de fim de ano. Acreditava-se que essa cerimônia servia para espantar os maus espíritos e para purificar a cidade, assim como para liberar a saúde e a fertilidade às pessoas açoitadas pelos lupercos.

A associação com a fertilidade viria de as chicotadas deixarem a carne em cor púrpura. Essa cor representava as prostitutas sacerdotais da Ara Máxima, também chamadas lobas.

Tratava-se também dum rito de passagem, simbolizando a morte e a ressurreição, celebrando assim a vida.

Caracterizadas pela licenciosidade, tinham características adotadas mais tarde nas festas de Carnaval.

História e Fim

A festa era tão antiga como a própria história de Roma (sabe-se que era uma tradição forte já no tempo de Júlio César), e tornou-se mais popular nos tempos da República romana, quando a gruta Lupercal foi reformada por Augusto, e perdurou até aos tempos do império e da sua queda. Esta mesma celebração foi adotada por Justiniano I no Império do Oriente em 542, como remédio para uma peste que já havia assolado o Egito e Constantinopla e ameaçava o resto do império.

Em 494 d.C., o Papa Gelásio I proibiu e condenou oficialmente essa festa pagã. Numa tentativa de cristianizá-la, substituiu-a pelo 14 de fevereiro, dia dedicado a São Valentim(hoje, conhecido como o dia dos namorados).

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Poesia: Alcateia



Tenebrosa, a alcateia que me persegue
São os lobos que me servem de sombra
E insistem em atormentar-me a consciência
Com uivos que me assolam os sentidos
Ou serei eu que atraiçoo a minha paz?

Só a noite não me julga, é minha amiga
Dá-me descanso e não profana o meu sentir
A quem confesso a angústia que me arrasa
Amplexo o jeito como ela sempre me enlaça
E faz dos meus pesadelos sonhos de ninar



 Maria Fernanda Reis Esteves


Lambido de  Luso Poemas

sábado, 21 de setembro de 2013

Sim, eu sou o Lobo


Eu caminho pela sombras
Eu sou as Trevas e a Escuridão
Eu sou o mal do Mundo
Sim, eu sou o Lobo.

Vagando eternamente sem rumo
Sofrendo e correndo com fome,
Lutando contra aqueles que eu salvei
Por aqueles que eu quis proteger

Os tiros durante a noite,
Rompem o silêncio da floresta como trovão
Assustado, sujo e com medo, fujo
Com medo... Deixando tudo para trás.

Sim, eu sou o lobo,
A praga do mundo,
O caminho da Discórdia,
O diabo que trouxe a verdade.

Expulso do céu, caçado e derrotado...
Fracassado...
Destruído...
Eliminado...

Tentem me destruir,
Continuem me eliminar,
Sim, eu sou o lobo
Mas também tenho emoções...

Sim eu sou o Lobo,
Não vou vagar mais por escuridão,
Não serei o mal do mundo,
Até que vocês humanos, mudem seus corações.


L.R. Silva - 20/9/2013

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Enluarada


Entrelaçados, metal e madeira prendiam a noite lá fora. Era sempre assim quando o luar chegava. Primeiro o pai. Depois, o marido que a família lhe dera. “Sê grata, filha minha, noites enluaradas são perigosas.”

E ela agradecia. E sorria.

“Um anjo” diziam.

“As feras espreitam, espreitam, bem vindos são os trancos”, sussurrou um dia, a avó, quando lhe ensinava a arte de manter os trincos cerrados. Mas parecia triste. E aquela tristeza pingava devagar no seu coração.

Então, eram noites de passos lentos e vagos na solidão das paredes vazias. Saberiam do cheiro que o luar derramava quando invadia as frestas perdidas da casa? Conheceriam o convite orvalhado das noites em que a luz procurava por ela? E meio sem pensar desejava o ar lá fora, mas então, o velho medo a invadia, e afastava depressa o zumbido desses pensamentos insanos e tecia, bordava, cozinhava, sorria e obedecia.

Então diziam, “é um anjo”.

E logo, ela mesma cerrava suas portas, satisfeita por ser uma criatura angelical.
Mas a voz triste da avó ainda pingava dentro dela.

Até que… era noite calma, quando o uivo de uma fera rasgou o silêncio. Lobos!

Levantou-se curiosa, mas os homens estremeceram e as mulheres fingiram não notar. Então, também ficou calada.

Mas noite após noite, os uivos chegavam e eram dois, três, quatro…  tantos lamentos rompendo a madrugada. As vozes em casa subiam, inventavam músicas e festas… e dentro dela, a lembrança da voz triste da avó ainda pingava mistérios de uma sonata lupina.

E das feras que viviam lá fora, percebeu que uma não teve medo das trancas e vivia agora dentro dela. Soube, então. As horas passaram rápido demais enquanto sonhava estrelas lejanas; havia regado como se fossem flores, pedras de rara beleza, pero não nascidas para crescer.

Hora era de ir embora. Acenou com doçura para aves sem pousada… ela sabia que não mais haveria luz, não haveria frutos, nem flores, nem nada.

“Um anjo”, diziam.

E talvez, estivessem certos.

Partiu ao entardecer. Antes que os homens e as trancas voltassem do campo, fez a mesa, a cama, a casa. Haveria comida fumegante no fogão, a luz acesa escapando das janelas cerradas e todos ficariam contentes quando se aproximassem.

Quando ela partiu, as cores do crepúsculo queimavam a tarde e apesar da melancolia, havia vida. Com preguiça, estendeu os tentáculos dos últimos sonhos e se foi.  Era hora de olhar para si. E nem percebeu, quando, por estranhos caminhos, a lua sorria e surgiam, como pétalas rubras, suas próprias asas.

Nas noites de lua, a fada dos lobos uivava.

E com os lobos, corria pela madrugada. Era mesmo um anjo, a mulher enluarada.

Na vila, os homens suspiraram e reforçaram as trancas. As mulheres teciam e falavam, bem baixinho, da mulher enluarada, fingindo não saber que além da madeira e do metal, a vida seguia lá fora. É assim, a sina lupina.

Quem tem alma de peeira não resiste ao beijo ternurento do luar.

 Texto: Tânia Souza


Lambido de Quotidianos

terça-feira, 2 de abril de 2013

Condenados




Lobos... Caindo... 
Lobos... Escurecendo... 
Lobos... Ganindo... 
Lobos... Apenas... Lobos... 


Mortos... São seus sonhos... 
Mortos... Estão seus entes... 
Mortos... Sim... São eles... 
Mortos... Lupinos... 


Caindo... Na Escuridão 
Caindo... Em Maldição 
Caindo... Apenas... Caindo... 
Caindo em Solidão... 



Lobístico Rodrigues

segunda-feira, 4 de março de 2013

Um Pouco Sobre os Lobos

Autoria Desconhecida
No reino animal existem poucos animais tão fascinantes e misteriosos como os lobos. Lendas e histórias de todos os tipos são contadas a seu respeito desde os mais remotos tempos ao redor do mundo. Essas criaturas, na verdade, exercem certa magia sobre nós. Muitas pessoas temem esse maravilhoso animal, acham-nos sombrios e tenebrosos e que eles estão ligados a todo tipo de bruxarias e coisas do mal. Outras pessoas são simplesmente apaixonadas por eles, é como se os lobos exercessem certo poder sobre elas, é como se eles atraíssem essas pessoas. Na verdade muito mais do que elas gostariam de ser atraídas...

O caso é que não sabemos ao certo até que ponto isso é fantasia ou realidade, porém uma coisa é certa: essas criaturas são simplesmente fantásticas independentemente de qualquer estória ou lenda que se conte a respeito delas; seu modo de vida é notável e deveria ser observado mais de perto por alguns de nós; aprenderíamos muito com eles sobre hábitos e valores.

Só para que se tenha uma ligeira noção dos hábitos desses fantásticos animais, quando o macho, por exemplo, encontra a fêmea que é de seu interesse acontece uma violenta reação química em seu organismo e tudo muda de forma radical em seu metabolismo durante a época do acasalamento. Hábitos alimentares, modo de se expressar diante de seu grupo, ele bebe menos água que de costume e o mais interessante, ele para de se cuidar; isso mesmo para de se limpar por um tempo, seu cheiro torna-se detestável a todo o grupo inclusive à fêmea de seu interesse, pelo menos no começo...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Amor de Lobos

Autoria Desconhecida

Uivando na noite,
Uma chamada de acasalamento na natureza,
Os lobos solitários que desejam unir-se,
Na distância,


Um companheiro dispostos chama.

Correndo ao encontro de seu novo amor,
Sua antecipação apressa o passo,
Parando de tempos a tempos,
Fazer outra chamada,

Ele está determinado a recuperar o desejado.
Distância não importa mais,
Só o tempo para deixar sua marca.
Eles se encontram e dançam em uníssono,

Feliz de encontrar seu companheiro.
Eles brincar e correr, pular e dançar,
Convidando o outro,
Para se tornar a sua vida.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Dois Lobos...


A Matilha da Noite


Fofo ele né?
Comportamento na balada: tímido, distante, dando uma impressão de perdido.

Bebidas: cerveja, alguma “ice” da vida, caipirinha, etc.

Abordagem: desde nula até conversar. O cão sem dona é inocente por natureza, e se você foi abordada por um cara que vai conversar por horas sem tentar qualquer coisa a mais chegando a um ponto entediante, sem dúvidas você está diante de um exemplar típico.

Cuidados: se você não curtiu o cara, NÃO DE O TELEFONE, pois ao final da noite ele vai mostrar aos amigos que conseguiu seu número e já vai ter montado um filme romântico na cabeça. Ficam extremamente chateados ao levar um corte! O ideal é jogá-lo na famigerada friendzone.

Resumo: são extremamente carentes e grudentos. Possuem em geral boa índole, entretanto acabam ficando entediantes. O cão sem dona é o típico cara que viveu um namoro longo e tem pouca prática na noite.


Bonitão né? Está aí um típico vira-latas flagrado após uma vodka!
Vira-latas correspondem à maioria dos homens nas baladas, poderia arriscar que mais da metade com folga.
Comportamento na balada: extremamente ligado, feliz, corre atrás de todas as mulheres como um doido. São extremamente afobados.

Bebidas: vira-latas se relacionam facilmente uns com os outros, então é normal dividirem alguma garrafa de vodka da mais barata que tiver, afinal de contas só querem ficar doidão o mais rápido possível para “não perder tempo”.

Abordagem: a mais comum é puxar a menina pela mão quando ela está caminhando, tenta segurar, se não vai atrás. Conversa pouco e adora sair elogiando demais além de cantadas extremamente embaraçosas. Ficam sempre no limite entre o engraçado e o irritante.

Cuidados: o vira-lata geralmente está na balada para pegação, ponto. Ele não foi lá para pegar VOCÊ. Vocês apenas se esbarraram e ele não vai perder a chance, simples assim. Com base nisso se você não curtiu, não perca tempo sendo simpática, pois o danado vai correr atrás abanando o rabinho até que ouça um belo não.

Resumo: é o mais típico comportamento masculino na noite. Muitos vão para o pior lado, se tornando completos babacas, outros para um lado melhor, caras engraçados que sabem fazer a mulher rir com facilidade e sem esforço. A maioria dos vira-latas nunca teve namorada ou um relacionamento mais sério, nas redes sociais adora dizer como gosta da vida de solteiro, cantam euforicamente “sou praieiro, sou guerreiro”, e por aí vai…


Quem tem medo do lobo mau? Não, lobos não são necessariamente maus!

Comportamento na balada: O lobo está no topo da cadeia dentre todos da “cachorrada”. São calmos, educados, chama pouco à atenção pelo comportamento.

Bebidas: vodkas gringas com suco, água e espumante/champanhe. Ao contrário do vira-lata, dificilmente o Lobo bebe para ficar “doidão” rápido. Lobos bebem moderadamente e sabem seus limites, para isso sabem a hora de beber água e/ou parar com tudo.

Abordagem: O Lobo não tem pressa como seu amigo vira-lata. Gosta de reconhecer o território e principalmente observar a mulherada. É difícil o Lobo partir ao ataque logo cedo. Quando aborda, irá chamar para conversar de uma forma tranquila (porém sempre bem-humorado), quase tão parecida quanto o amigo cão sem dona, mas ao contrário desse, o Lobo já faz o contato físico ao longo da conversa, pegando na mão e até mesmo apenas com o olhar.

Cuidados: É difícil “não gostar” de um, a menos que a atração física seja zero. Se você não gostou, apenas diga que foi um prazer conhecê-lo e que você vai voltar para onde estava que a maioria irá entender o recado.

Resumo: Se tornar um Lobo é fruto da experiência, tanto nas baladas quanto com relacionamentos passados. É saber se comportar na noite e conversar com as mulheres sem esforço. Mas fica uma dica final: tem muito Husky Siberiano querendo se passar por Lobo!
Bom, para finalizar gostaria de deixar claro que existem outros tipos de “cães” baladas/noitadas afora, mas me foquei apenas em três principais tipos.


E lembrem-se: No fim, todo cachorro adora que coloquem uma coleira e o chamem para passear!

Lambido de Entenda os Homens