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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O Mal Agouro


Sempre me fora dito que os corvos são criaturas malignas que só trazem desgraça e morte por onde passam.


Nunca acreditei em tais lendas, afinal, são apenas lendas. Porém sempre notei um curioso fato, sempre que alguém morria em algum lugar havia um corvo perto de seu corpo ou até mesmo pessoas que vieram a morrer tempos depois eram vigiadas de longe por um corvo.


Com o passar do tempo nosso pequeno e pacato reino se envolveu em uma terrível e sangrenta guerra com um reino vizinho. A partir de então eu via muitos corvos e com uma frequência assustadora. Não tardou muito para que eu fosse recrutado a lutar nos campos de batalha. A guerra já durava anos e não acontecia nada além de sangue, morte de ambos os lados... e é claro, os corvos.

A situação começou a me desesperar quando passei a ter como primeira visão todos os dias ao acordar um corvo negro de olhos vermelhos comendo carne de um cadáver ou até mesmo com o bico e as penas manchados em sangue. Essa guerra tinha que acabar logo ou não haveria sobreviventes, pois nos anos que se passaram já haviam morrido tantas pessoas que dezenas, não, centenas de vilas e vilarejos de ambos os reinos encontravam-se desertos.

Guerreamos com bravura por tanto tempo que atacar com a espada e defender com nossos escudos eram o praticamente gestos automáticos, fazíamos isso sem nem perceber. Porém, um a um meus companheiros foram abatidos ou pelos inimigos, ou por doenças ou pela exaustão. Foi horrível!

Não tardou muito até que nossos exércitos se resumiram a um único homem de cada lado. Eu e o rei inimigo, Meu rei infelizmente havia morrido com uma flecha certeira no coração. Hoje, num dia nublado, num campo aberto, estávamos apenas eu, meu inimigo e é claro, os corvos. Poucos metros a minha frente havia uma espada cravada no com a lâmina no chão e apoiando-se sobre o punho havia um corvo visivelmente sábio, com suas penas negras como a mais profunda noite e seus olhos mais vermelhos que sangue ou brasas.

Ao primeiro pio do corvo disparei na direção de meu inimigo tão rápido que antes mesmo que ele percebesse eu já o tinha transpassado com a espada, cortando seu coração ao meio. Deixei o corpo cair para trás no chão sem que eu retirasse minha espada. Sentindo-me vitorioso virei-me a volta dando um urro de vitória com meu braço direito estendido aos céus tempestuosos. Percebi que o corvo ainda estava repousado tranquilamente na espada e me observava com interesse, após seu pio eu senti a exaustão e a dor de todos os ferimentos que tantos anos de batalha me atacando todos ao mesmo tempo.

Desabei no chão caindo de costas e vi o corvo alçar voo em minha direção e pousar em minha barriga, senti a agonia de suas garras caminhando até que ele estivesse parado em meu peito me olhando no fundo do olhos como se pudesse ver minha alma com aqueles olhos vermelhos e brilhantes. Minha visão escureceu e antes de eu perder a consciência ouvi o corvo falando em minha mente.

 "Hoje a vitória não pertence a você!"

Essa é a última coisa de que me lembro...


Autor: Hugo Antônio

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Indígenas - Lobos



“Os antigos foram pessoas, e também animais. Em forma, alguns pareciam humanos, enquanto outros caminhavam sobre quatro patas como animais. Alguns voavam como pássaros; outros nadavam como peixes. Todos tinham o dom da fala, assim como grandes poderes e mais inteligência que os animais e as pessoas.”

- Lenda dos Okanogan (índios americanos)

Luna e Os Lobisomens



Quem Foi Luna?

A Deusa criadora dos lobisomens chama-se Luna, mas quem foi esse espírito divino?

Ela foi responsável pela criação do mundo e de todas as criaturas que nele habitam juntamente de seus outros dois irmãos: Hélio e Gaia. Como espíritos, a cada criação de novo ser, Eles iam perdendo forças e com Luna isso foi igual. E o que acontece quando uma alcateia passa a não ter êxito nas caçadas porque seu Alpha está fraco, lento e cego demais para liderar? A alcateia morre ou o Alpha é substituído.

Diz-se que o mundo funcionava com os três espíritos divinos na liderança, mas que Gaia foi a primeira a cair, na verdade, por amor e por ser a mais forte dos três irmãos, Gaia uniu-se a sua criação, logo, tecnicamente habitamos Gaia, o nosso planeta.

Em seguida veio Hélio, o responsável pela criação do homem, o ser que devia cuidar do planeta. Mas Hélio tinha adoração por sua criação, a ponto de não se saber diferenciar se ele era o Deus e os humanos os adoradores, ou se ele adorava suas criações como Deuses, e os amou tanto a ponto de queimar... Queimar eternamente em sua morada, o Sol.

Luna por sua vez, era apaixonada por seu irmão Hélio e via em suas criações e na noite uma melancolia imensa. Após o exílio de Hélio no Sol, Luna chorou durante um ano inteiro, a ponto de salgar toda água dos oceanos. Sua solidão foi tamanha, mas ela não podia descansar tamanho era o seu senso de dever, não poderia jamais fechar os olhos enquanto não houvesse alguém a assumir seu lugar.

Os únicos qualificados a tomar o lugar de Luna eram seus próprios filhos, os Lobisomens. No entanto Luna via todos os seres como filhos também, filhos adotivos. Infelizmente, Luna foi atacada por seus próprios filhos, os Guardiões da Terra, Guardiões de Gaia e isolou-se numa morada fora da Terra, na Lua, o Satélite natural do planeta.

Assim, Luna amaldiçoou seus filhos a não mais viverem na forma natural. Agora seriam obrigados a vestir-se da pele daqueles que deviam proteger e se comportar como eles, como também deveriam se esconder, pois sua forma não seria mais aceita pelo mundo.

É por isso que somos o que somos. É por isso que somos lobos e homens. É por isso que somos condenados a forma humana. Mas Luna foi uma Mãe fantástica, manteve a vida de todos, concedeu o perdão aos seus filhos, criou a Lua, sua morada e nossa casa futura. Mesmo que os humanos voltem-se contra nós e nos odeiem por continuarmos vivos. Somente Mãe Luna e nossos totens lupinos estão do nosso lado e isso já nos basta, pois somos homens e somos lobos. Somos o Povo. Somos os caçadores de dois mundos. Cada estrela no céu representa um lupino e que os céus ajudem àqueles que incitarem nossa fúria!

Ave Luna!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Lobisomem no Imaginário Popular


O lobisomem, que no maravilhoso da imaginação popular é o homem extremamente pálido, magro e de feia catadura, é produto, ou de um incesto, ou nasceu depois de uma série de sete filhos.

Ente infeliz, condenado pela sua desventura a divagações noturnas, até quebrar-se o seu encantamento, cumpre o seu fadário em certos dias, saindo de noite, e ao encontrar um lugar onde um cavalo ou um jumento se espojou, espoja-se também, toma a sua forma, e começa a divagar em vertiginosa carreira.


Nesse seu tristíssimo fadário, que começa à meia-noite e se prolonga até quase ao amanhecer do dia, ao ouvir o cantar do galo, percorre o lobisomem sete cidades e chegando, de volta já ao lugar do seu encantamento, espoja-se de novo, retorna a sua forma humana e recolhe-se à casa, abatido e extenuado de forças, entregando-se a um sono reparador, que por isso é prolongadíssimo.


A passagem do lobisomem é pressentida desde longe pelo ladrar de cães, que em matilha o acompanham em perseguição, dando tempo, quase sempre, a cada um fechar a sua porta pelo horror que ele infunde aos tímidos. Mas, se houver alguém de coragem, que se enfrente com o lobisomem, e lhe faça um ferimento qualquer que produza derramamento de sangue, por pouco mesmo que seja, tira-lhe o encantamento e tomando ele imediatamente a sua forma humana, acaba por uma vez o seu triste fadário.


O lobisomem aparece freqüentemente nos nossos contos populares como um monstro horrível, que infunde terror às crianças, conseguindo-se com as suas narrativas aquietá-las em suas travessuras. Dum desses contos que vogam entre nós e tem por título - O lobisomem e a menina - consigna Sílvio Romero estas estrofes, por não se lembrar mais do seu todo, e nem lhe ser possível mesmo conseguir da tradição popular uma lição completa:



- Menina, você onde vai?
"Eu vou à fonte.
- Que vai fazer?
"Vou levar de comer
À minha mamãezinha.
- O que leva nas costas?
"É meu irmãozinho.
- O que levas na boca?
"É cachimbo de cachimbar.
. . . . . . . . . . . .
"Ai! meu Deus do céu
O bicho me quer comer!
O galo não quer cantar
O dia não quer amanhecer
Ai, meu Deus do céu!

Quase que deste mesmo gênero, figura ainda no ânimo popular um outro mito, igualmente sob a forma de um monstro quadrúpede - a mula, geralmente, metamorfose da barregã do padre, e que, como o lobisomem, cumpre também o seu fadário em certas noites, sentindo-se mesmo a sua passagem pelo tropel vertiginoso da carreira com que caminha, e o lúgubre tilintar das cadeias que arrasta, apavorando imensamente a quantos pressentem tudo isso.


Do fatigante percurso dessas suas periódicas peregrinações, deixa ver a mula, no outro dia, já tornada ao seu natural estado, veementes sinais no seu corpo, produzido pelas cadeias que arrastara, e a languidez do cansaço pela sua vertiginosa carreira a vencer e regressar de longínquas paragens nesse seu tristíssimo fadário, que é como que se penitenciando do seu pecaminoso viver; e o padre, para purificar-se dos seus pecados, amaldiçoa a barregã no ato da celebração da missa, antes de tocar na hóstia para a consagrar!


Tratando o padre Lopes Gama das superstições e crendices populares do seu tempo, diz o seguinte, sobre o assunto:


"Entre nós, hoje mesmo, (1842) qual é a velha, qual é o pai senhor, que não crê na existência de lobisomem? E como a respeito do maravilhoso quase toda a gente gosta de mentir, não falta quem jure ter visto os tais lobisomens. Um afirma que fulano de tal virava-se em burro, e assim corria seu fado; outro, que conhecera certa amásia de um vigário, a qual tinha a boca sempre esverdeada, porque mudava-se em mula e andava pastando; outro diz que conhecera um homem que era lobisomem, e transfigurava-se em porco. Certa mulher contou-me com toda a seriedade, que já vira uma sujeita, que em certos dias não se arredava da cama, sem ter moléstia alguma e toda coberta, porque estava virada em burra, e não queria que lhe vissem os cascos, as orelhas, etc. Dizem além disto, que toda a pessoa que se muda em lobisomem, vive amarela e espantada."


E o populacho ingênuo repete tudo isso com inabalável convicção.



(COSTA, Pereira da. Folclore pernambucano; subsídios para a história da poesia popular em Pernambuco. Recife, Arquivo Público Estadual, 1974)



Lambido de Jangada Brasil

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Lobisomem em Sobral - Ceará


Moradores estão apreensivos com as mortes de animais que vêm acontecendo no distrito de Jaibaras

No distrito de Jaibaras, circula boato com repercussões na sede do município dando conta de que um lobisomem estaria aparecendo para moradores da localidade. Os comentários provocam medo na comunidade.

Lendas urbanas voltam a circular neste município. Desta vez, os moradores do distrito de Jaibaras contam que, uma criatura, ainda não identificada, anda pelos arredores do local, chegando inclusive a atacar animais domésticos, matando o cachorro de uma aposentada.

O distrito, a 20Km de Sobral, está sendo palco de situações curiosas que têm deixado a população preocupada. Segundo os relatos, o misterioso animal responsável pelos ataques teria 1,30m, pêlos abundantes e não possui cabeça identificável. Suas aparições teriam iniciado no começo do mês e vários moradores afirmam ter visto o ser em diversos locais do distrito, inclusive no Centro.

De acordo com o presidente do Centro Sobralense de Pesquisa Ufológica (CSPU), Jacinto Pereira de Souza, ele esteve presente no local na noite da última quarta-feira a fim de um primeiro contato com a população, tendo conversado com dois professores moradores da Rua Padre Cícero, no Centro. "Eles seriam duas testemunhas oculares que não conseguiram identificar o animal nos moldes que conhecemos. Fora eles, tivemos ainda um senhora aposentada, a dona Cleide Aguiar Frota, que afirma ter tido seu animal de estimação morto pela criatura".

Ele explica que a aposentada afirma ter presenciado o animal com um dos filhotes de cachorro na boca quando foi colocar ração para o mesmo. "Porém, não temos confirmação do caso e ainda estamos investigando, não podendo dizer com certeza. Apenas podemos afirmar que a população está com medo pois, independente de sua origem, a criatura aparenta ser feia e violenta". Jacinto finaliza afirmando que irá continuar com as investigações no distrito, visitando-o mais vezes para averiguar os fatos.

Em Sobral, o caso começou a repercutir após o debate em uma rádio local, onde os ouvintes afirmaram que a região do Jaibaras já é bem conhecida por esse tipo de situação. Uma dona de casa, que preferiu não se identificar, diz ter presenciado situações estranhas no distrito em ocasiões anteriores, quando foi visitar familiares. "Sem dúvida, aquela região é muito esquisita, assim como a localidade do Baracho. Eu não acreditava nesse tipo de coisa, mas, depois que estive lá, passei a pensar duas vezes antes de sair à noite por aquela localidade". O radialista Clevis Oliveira conta que ouvintes afirmaram que o problema não é de hoje. "Pessoas que moraram há 20 anos lá, quando souberam da notícia, ligaram falando que esse tipo de situação teria ocorrido na década de 80 e 90".

Na localidade de Baracho o que tem perturbado a população seriam sussurros que vem do meio do matagal nas estradas.

Um morador, que prefere não se identificar, conta que, após o anoitecer, quando passa pela estrada que liga Baracho ao Desterro, uma comunidade próxima, escuta vozes ameaçadoras tanto dos lados quanto atrás de si, mas quando olha para a direção dos sons, não vê nada.

JÉSSYCA RODRIGUES
COLABORADORA

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Lenda do Padre e o Lobo


Na Irlanda, em 1182, um padre estava viajando vindo de Ulster pelo Meath, e teve que passar a noite em uma floresta, estava sentado a beira de uma fogueira que ele mesmo tinha feito, quando um lobo aproximou-se dele e começou a falar com uma voz humana.

O Lobo era um homem de Ossory, em cuja raça estava sujeita a uma antiga maldição, segundo a qual a cada sete anos, um homem e uma mulher eram transformados em lobos, ao final de sete anos ele recuperaria a forma humana, e assim outras duas vítimas sofreriam uma transformação semelhante. Ele e sua esposa foram  as vítimas atuais da maldição; sua esposa estava no ponto de morte, e ele rogou ao padre para vir e dar-lhe o viático, a Santa Eucaristia dada ao morrer. 

Depois de alguma hesitação, o sacerdote decidiu ajudá-lo, e na manhã seguinte o Lobo o colocou no caminho certo, e despediu-se dele com palavras de gratidão. O padre duvidou que o Lobo tenha feito alguma coisa de errado para receber tamanho castigo, consultou alguns Teólogos, até chegar ao Papa, mas as respostas nunca foram encontradas. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Lobisomens: História



Noite alta, sem estrelas, vento forte e uma chuvinha fina sobre a pequena e deserta cidade. Um homem caminha depressa pelas ruas mal-iluminadas. De repente, ele para. Atento, parece escutar melhor algum ruído distante. Ou... próximo demais. Sente que alguém, ou alguma coisa, está perto. Vigiam-no. Ansioso, apressa o passo. 

Mas, quanto mais rápido caminha, maior é o pavor que toma conta da sua alma. Olha para trás. Não há nada na rua vazia. Tropeça na calçada e cai. Levanta-se sujo de barro e, completamente apavorado, começa a correr o mais que pode. O coração parece querer sair pela boca. Tem certeza de que algo o persegue. E, na esquina escura, vê o vulto.

A visão é rápida, mas o suficiente para eriçar os cabelos da nuca. Com um arrepio na espinha, congelado de pavor, ele ouve um rosnar. É o Lobisomem! Ele sente que está prestes a tornar-se vítima da fera. Entra em pânico, grita por socorro e procura um refúgio, rezando e chorando pelo Divino. Inutilmente.

Quando percebe, está encurralado diante de uma cerca ou um barranco. Não importa. De joelhos, olhos cheios de lágrimas, em soluços, ele vê a criatura surgir da escuridão. Rosnando, dentes à mostra, a besta caminha vagarosamente em direção da presa. O homem sabe que está indefeso. Um bote, uma só dentada. Direto no pescoço. Carótida em frangalhos, a vítima jaz prostrada. Sobre ela, refestela-se em sangue o Lobisomem.

Depois, meio bicho meio gente, a fera parte em desabalada correria. Tudo que se move, homens ou animais, é atacado. Até que, ao primeiro cantar do galo, saciada sua sede, o Lobisomem retorna ao lugar da transformação. Lá, vagarosamente, vai reassumindo sua condição humana. A fera volta a tornar-se homem. Um homem cansado, com cotovelos e joelhos ensopados de sangue. Um homem solitário que se recolhe nessa condição à espera da próxima noite de quinta para sexta-feira, quando ocorrerá outra transformação.

A exemplo da Mula-Sem-Cabeça, um ferimento que derrame o sangue do Lobisomem quebrará o encanto. Dizem que o Diabo aparece nessa hora e lambendo o sangue da fera, considera cumprida a sina do infeliz, liberando-o da maldição. Outras versões afirmam que o Lobisomem se cura da maldição ao sugar o leite do seio de uma mulher.


Origem da Lenda

A origem da lenda do Lobisomem remonta à Grécia Antiga. Espalhada pela Europa e América, a lenda do Licantropo Grego, do Versiopélio de Roma, do Loupgarou Francês, do Werwolf ou Werewolfe Saxão, Obototen Russo e Lobisomem Espanhol ou Português é uma das mais populares do mundo.

Características exclusivas do Lobisomem brasileiro são difíceis de definir, mas permanece digna de nota a facilidade de identificação da fera em seu estado normal, como homem. Nesses casos, apresenta-se como alguém muito magro, de pele clara e aspecto doentio de pessoa anêmica, que precisa de sangue para sobreviver.

Em geral, a sina é uma questão de sorte. Nasce-se Lobisomem, bastando para isso ser o sétimo filho homem. Em algumas regiões, este ser é resultado de uma ligação incestuosa; e a fatídica bala embebida em cera de vela santificada é um aspecto digno de observação, como forma de abater a fera.

As várias formas adquiridas – de homem-lobo, homem-cão, homem-porco, homem-bezerro, etc. – nos remetem à África, onde as transformações dos homens nos mais variados animais aparecem registradas por todo o continente. A lenda do Lobisomem não é, como tantas outras, genuinamente brasileira, mas merece estar aqui como uma das mais populares do país.


Lambido de DANA

sábado, 15 de setembro de 2012

Aniversário da Lua - 15 de Setembro



Reza a lenda que o Imperador chinês Ming Wong fez uma viagem mística até a Lua neste dia. E em homenagem a ela, instituiu hoje o dia do seu aniversário.

Desde os tempos imemoriais até os nossos dias, a Lua é um símbolo cósmico de todas as épocas. Ela deu origem à vários mitos, lendas e cultos.

Dizem que vampiros e,nós, lobisomens são controlados pelas fases da Lua. Nas mitologias da história dos povos, existem muitas divindades que têm associações com a Lua. Sem contar que ela é também símbolo do sonho e do inconsciente.

E em algumas culturas ainda adota-se um calendário lunar para medir o tempo, como o calendário Islâmico, por exemplo.

Para geólogos, o planeta Terra não seria o que é e nem a vida teria se desenvolvido nele se não tivesse um satélite como a Lua. A Lua é o maior satélite do sistema solar e exerce uma influência gravitacional muito grande sobre a Terra.

Na astrologia hindu, a Lua é considerada o “planeta” mais importante, enquanto que na astrologia ocidental, é o Sol.

Numa antiga alegoria, a Lua é apresentada como uma princesa que, mesmo tendo a oportunidade de desfrutar as glórias da nobreza, se degradou. Entregou-se aos hábitos primitivos dos seus súditos e em decorrência disso, ficou presa às conseqüências do envolvimento com as forças com as quais lidou.

 Uma dica dos esotéricos para o dia de hoje, em homenagem à Lua e para atrair bons presságios também, é acender uma vela branca e um incenso de canela. Depois, cortar uma batata no formato da Lua e a enterrar no jardim.

Lambido de Agenda Esotérica

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Pacto dos Lobos - Filme



“As certezas tornam os homens cegos e loucos,
Devoram seu coração e o transformam em uma fera. “

O filme retrata o dilema francês da Fera de Gevaudan, onde um monstro, retratado na forma de um lobo gigantesco, ataca mulheres e crianças. Muito bem formulado, o roteiro mostra história, religião, cultura e a arte da época.

A indicação do filme veio de uma amiga pessoal do Arcanjo Lycan, Ângela Araújo, que gentilmente nos cedeu o filme (DVD original, diga não à pirataria), e é claro que se é um bom filme e na temática do Arcanjo... Segue abaixo a sinopse... Aconselho que todos os leitores tenham a oportunidade de assistir ao filme!

Sinopse

O Pacto dos Lobos se passa em meados de 1764, na região rural de Gevaudan.

Um monstro, com uma mandíbula gigante, aterroriza quem se aventure a sair de casa. A fera já estrangulou dezenas de mulheres e crianças. O naturalista, aventureiro e jardineiro real Gregoire de Fronsac (Samuel Le Bihan) e seu fiel amigo Mani (Mark Dacasco) são enviados pela Corte para desvendar o mistério. Mani é um calado índio moicano a quem Fronsac trata como irmão. Seus métodos causam estranheza.

Numa festa, com a presença da alta realeza daquela região francesa, Fronsac conhece e se apaixona pela bela Mariane (Émilie Dequenne), disputada pelo sinistro Jean-François (Vincent Cassel). Dividido, ele freqüenta também a cama da belíssima prostituta Sylvia (Mônica Bellucci).

Irritado com a falta de resultados, o Rei envia seu chefe da guarda, que apenas mata um lobo qualquer e vai exibi-lo à Corte.


Lutando contra tudo e contra todos, Fronsac não desiste. Ele parte para uma última caçada. Mas o aventureiro talvez não está preparado para o que irá encontrar. 


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Como Nascem os Lobisomens? - Lenda


Há muitas maneiras que você pode se tornar um lobisomem de acordo com a mitologia eslava. Quando morre um homem mau, sua alma está condenada a não entrar no mundo dos mortos, por isso, é presa na Terra e, portanto, seria possuir um animal - O lobo. Um homem vivo pode ser colocado sob uma maldição e se tornar um lobisomem, ou fazer um pacto com forças obscuras. Mas mais interessante para mim, e ilustrado na figura, é o que diz que se uma mulher grávida morre e seu corpo não é queimado após a morte, o feto irá então crescer em seu ventre cruel, tornando-se um sanguinário lobo depois de sete anos.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A Transformação em Lobo no Vampirismo



 Nas crenças e lendas do vampirismo, o infectado não tem apenas o poder de se transformar em morcego. À noite, quando ele sai do túmulo, torna-se lobo... como se à floresta, às montanhas, aos ermos que rodeiam o seu domínio apenas fosse adequada essa forma flexível, também ela feita para a astúcia, essa forma que mata.

Mas o uivo de lobo (que sendo dado pelos cães chamamos vulgarmente o uivo da morte) não é somente um uivar animal. E o instinto, a resposta, assim que o lobo se apercebe do poder oculto e magnético da Lua.

O vampiro-lobo – dizem as lendas – uiva à Lua.

Ele cumpre um tipo de cerimonial gelado. O vampiro que tem o poder de ficar com o aspecto de lobo não é somente um amante da licantropia. Não é um monstro isolado, perdido na noite e entregue à sua forma animal. Ele contém todos os instintos secretos do animal, todos as suas forças... e mesmo para além disso (padres ortodoxos houve que lhe deram certo crédito). Uma vez que ele tem a faculdade de liderar entre os lobos e os morcegos, o reino animal reconhece nele, por instinto, a energia oculta que lhe vem de antes da morte.

A lenda não esqueceu o peculiar poder do vampiro quando fala nos cães uivando à volta de sepulcros e de animais meios enlouquecidos pela presença do doente. O animal reage primeiro que o homem, porque compreende antes deste o que representa um vampiro. «Quando ele apareceu de repente ao pé de mim», escreve Stoker no Drácula, «eu direi ter ouvido apenas a sua voz elevar-se e tomar um tom de profunda autoridade. Vi-o então a meio da rua. Estendia os longos braços como que para empurrar um muro invisível. Os lobos deixaram de uivar e recuaram lentamente. Nesse momento a Lua foi coberta por uma nuvem e de novo ficamos envoltos em profunda escuridão.» E acrescenta mais à frente: «E contudo, pondo-me à escuta, ouvi lá muito longe, no vale, mais lobos uivar. Os olhos do conde brilhavam e exclamou: ‘Escutai-os, são as criaturinhas da noite, e que música eles fazem!...’»

Homem-morcego, homem-lobo, o Vampiro tem imensos poderes para se transformar; mas o mais estranho é aquele que lhe permite desmaterializar-se quase totalmente, tomando a forma etérea de um raio de lua ou de um simples pirilampo.

Este fenômeno é dos mais complexos. Trata-se de um ponto de energia minúsculo, de uma intensidade incrível. Um pouco como certos pontos negros do tamanho de uma cabeça de alfinete e que aspiram tudo o que os rodeia nos espaços intersiderais.

E o poder final do vampiro. Assim, o vampiro não possui apenas um corpo mas vários. É pois impossível dar-lhe um único nome, ou atribuir-lhe um só aspecto.

Quem é o príncipe Drácula? Um fantasma de forma imprecisa, toda feita dessa «coisa» a que se chama vampiro, à falta de outros nomes que se lhe dêem. Mais que um corpo ou uma forma, ele é um conjunto de energias vivas, larvar, que uma vontade forte prolonga além morte.

Hoje em dia, dificilmente se aceita que um ser possa existir para além do túmulo, possuindo o poder de se transformar em lobo, em morcego ou em pirilampo. A superstição tomou conta desta terrífica criatura. Um Barba-Azul da noite, um monstro bebedor de sangue. Seja onde for, ele encarna para nós o medo... o medo da morte.

Nas tradições do mundo da magia, afirma-se que o poder do vampiro depende unicamente da sua vontade. Mas essa vontade nada tem a ver com as vontades humanas, pois ela não habita um corpo vivo. A superstição diz que os vampiros apenas saem em noites de Lua cheia, como se a sua atividade noturna dependesse essencialmente daquele astro.

Tratamos de voltar atrás, às antigas civilizações, para compreender bem a importância do seu culto dedicado à deusa Istar que, como Hécate, representa o aspecto mágico da Lua.

Sobre uma tábua da Caldeia, conservada no Museu Britânico, pode ver-se o traçado da epopéia mitológica. Relata-se aí a descida de Istar ao país dos mortos.

Chegada às portas da morada infernal, chama e pede sob ameaça: «Abre a tua porta senão saltarei a vedação, galgarei os montantes e farei que os mortos se ergam para devorar os vivos, e que venham a exercer sobre estes o seu poder.»

Para os mágicos de Nivive, Istar reina entre os morto-vivos, isto é, sobre os que venceram a morte. Tal como a todos os que a veneravam como toda poderosa, assegurava viverem sempre na morte.

Depressa as crenças populares afirmaram que os defuntos podiam vencer o túmulo se tivessem desejo de sangue de um vivo. Do mesmo modo que, na mitologia grega, Eurípides representa Aquiles numa armadura dourada, em pé sobre o túmulo, bebendo sangue de uma virgem sacrificada em sua glória.

Mais lamentáveis parecem ser esse tipo de vampiros, mulheres feiticeiras da Roma antiga que tinham a faculdade de se transformar em aves de rapina para vir saborear sangue humano. «Vistas durante a noite atravessando os céus, e sem que nem as portas ou fechaduras as detivessem, iam estrangular as crianças e devorar-lhes o fígado.»

Os partidários do culto da magia mergulham no fascínio do sangue porque se sentem vulneráveis, ameaçados como todas as formas de vida terrestre. O batismo do sangue para o vampiro é ao mesmo tempo blasfêmia e perversão. Deve agir como armadura e protegê-lo contra a morte.

E como uma imitação do batismo de luz, do sacramento do Espírito Santo, ligação indissolúvel entre Deus e o homem.

«Revesti-vos de Cristo», clama S. Paulo aos Romanos.

A imagem do túmulo ilumina-se de outra forma. A luz é vertical, cai como um projetor potente e elimina todas as obscuridades.

Segundo os evangelistas, Cristo visitou os mortos: «Também aos mortos foi anunciada a Boa Nova, a fim de que, julgados segundo os homens na carne, eles vivam segundo Deus no espírito.»

O vampiro nega a ressurreição. Ela pretende pegar a morte com o seu próprio punho, com a ajuda do seu querer pretende escavar a sua cova no inferno e aí fazer a sua morada, sem o auxilio de Deus.


Os Vampiros (1986) – Jean-Paul Bourre – página 13-15