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terça-feira, 12 de junho de 2012

Poesia à Lua



Lua Cheia de Lágrimas


A noite vai de encontro à Lua Cheia... 
À carne fresca... 
Ao dia pálido... 
Teu suplício desmedido de um passado, 
Diante ao brilho de esmeraldas mentirosas...

As lágrimas de chuva lá fora
Explica que na aurora de agora 
Não podemos chorar... 
Invadem a safira rara de um dia incomum...

Duas silhuetas
Abrem duas maçanetas
De um sonho real... 
Toda noite é muita noite 
Para uma noite... 
As coisas boas vão muito além 
Da imaginação das coisas básicas...

Imprimindo as palavras 
Em caminhos espinhosos 
Que traduzem um sentimento... 
Uma rosa, 
Um cinzeiro 
E um epitáfio...


Gessé Cotrim
08/06/2012


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Resenha: Sangue e Chocolate



Sinopse:
Vivian é uma jovem lobisomem descendente de uma linhagem de líderes, que se apaixona por um humano ameaçando a identidade e os segredos do seu povo para sempre. Agora, ela deverá cumprir uma profecia para proteger sua espécie ou enfrentar a ira daqueles que carregam nas veias seu próprio sangue.

Resenha:

Sangue e Chocolate é um filme feito pelo mesmo diretor de Anjos da Noite e O Chamado. É um filme muito bom, mas perto desses dois filmes que o diretor fez é mais fichinha.
            Conta a historia de Vivian, uma loup-garou. Os loup-garous existiam a séculos na cidade de Maryland, mas para ser um você tem que nascer loup-garou, tem que fazer parte da alcatéia, se ganhar uma mordida vai ficar é com um pedaço de carne a menos e nada mais. Vivian é jovem e ganha a vida trabalhando numa loja de chocolates na cidade, adora ser uma loba, mas depois da morte de seu pai o antigo líder prefere ficar um pouco longe da matilha, já que os lobos vão contra os seus princípios. Vivian quer ser livre e não gosta de matar, gosta de ler loba em si por ter mais agilidade, passa boa parte do tempo correndo na cidade e nunca deixa de entregar nenhum chocolate nas casas pedidas.

            Gabriel será o novo líder, ele ficou sete anos com sua mãe e agora é a hora de líder e escolher uma nova esposa por tradição, Vivian é a loba mais jovem e solteira do grupo, então por ser uma bela fêmea nunca que o garanhão do Gabriel iria deixar isso passar, mas a menina tenta ficar longe dele o máximo possível, pois não aceita nenhum pouco as regras da alcatéia. Vive mais entre os humanos do que entre sua verdadeira vida.
            Agora a garota conhece o romântico Aiden, uma rapaz muito pra lá de diferente da sua família, então se apaixonam e isso é claro, gera um problema.Vivian por tradição será de Gabriel e Aiden é só um humano que não devia atrapalhar em nada, Vivian tenta deixar Aiden fora disso, mas não resiste ao chame romântico dele. Gabriel ordena que seu filho o mate, um filho mimadinho que me irrita muito no filme, o legal é que Aiden pode ser um humano, mas tem lá seus truques para se defender.

            O filme é extremamente evolvente, é ótimo por quebrar a regra da garota quietinha e boba, Vivian é forte e autoritária, típico de uma verdadeira loba. É um filme muito bem dirigido, claro... Esse filme eu vi a uns dois anos, quando meu professor favorito de guitarra me emprestou e eu fiquei com vontade de ler o livro, acredita que os @#$@#*& só traduziram pra português esse ano? E com o preço lá em cima U^U’ ... Desculpem a indignação no final, haha. Obrigado por lerem, até outra resenha.

quinta-feira, 22 de março de 2012

O Poder da "Fé"

"Humanos tem medo de lutar pelo que acreditam! São imaturos quando se trata de escolhas da alma, do coração!

Estão sempre buscando meios de repor uma perda imaterial, por algo material! E é ai que começam a se corromper, seguindo para meus braços. Quando a chama da vida apagar, eles começam a entender que o poder nunca será suficiente para suprir a essência da vida que eles trocaram para não se machucar... pela fé que acabaram de perder...

E no dia que eles perderem isso, eu darei para eles o fogo que tanto desejam possuir.

E todo o poder encarnado que eles poderem mostrar, mostrará o quanto que o ser humano é!

Eu darei o começo, e você o fim!"

(O Cavaleiro, livro 02 - Brann, Deus do fogo para Arc´Than, Deus da morte)

quinta-feira, 8 de março de 2012

O Lobo e a Flor

Havia um Lobo solitário que viajava pelo mundo. Percorria desertos, cidades, campos e mares. Procurava um motivo para a sua existência, algo que justificasse a sua rudeza de lobo. Numa noite, ao pernoitar em um descampado, acordou com uma imensa luz que brilhava na colina. Correu até lá e deparou-se com a mais bela Flor que jamais vira. Ela irradiava luz por todos os lados e podia ser vista de muito longe. O Lobo soube naquele instante que estava apaixonado pela Flor e que ela, a partir de então, seria a razão de sua existência. Passou a dormir todas as noites ao seu lado, admirando aquela beleza divinal. Vieram tempestades e ele a protegeu com o seu corpo. Vieram pássaros e insetos e ele os espantou. Considerava-a uma preciosidade única e seria o seu eterno guardião. Até o dia em que a encontrou chorando.

O que a afliges, ó minha linda Flor? Farei qualquer coisa ao meu alcance para alegrar aquela que, com a sua infinita beleza, tocou o coração deste Lobo.

Você, Lobo, é a razão da minha aflição. Com todos os seus cuidados excessivos, sufoca o meu crescimento. Como poderei evoluir sem em momento algum enfrentar as adversidades da vida? Se realmente gostares de mim, por favor, me abandones antes que me mates.

O Lobo olhou-a consternado. Depois sorriu.

Farei como dizes, minha bela. Eu pensava somente em meu prazer ao teu lado e não percebi que lhe causava sofrimento. Mas para que tu e todos se lembrem do tamanho do meu amor por ti, lhe darei um último presente. Irei engrandecer-te eternamente.

Então o Lobo arrancou a Flor luminosa do chão e com o seu potente fôlego a soprou para bem alto no céu. Lá ela ficou, plantada em um canteiro de estrelas, iluminando a todos os que a olhavam. Vez por outra, ainda escutamos o Lobo uivando para a sua amada, lembrando que sempre protegerá e adorará a sua musa.

Moral da história:
“Todo humano um dia será Lobo.
Todo humano um dia será Flor.”


Escrito por Jefferson Luiz Maleski,

no outono de 2012,
para uma flor.

sexta-feira, 2 de março de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Provérbios Licantrópicos

Lupus lupi lupus

Vocês conhecem o provérbio latino, né?, que diz que “o homem é o Lobo do homem”. Na língua em que foi pensado, o latim, fica mais bacaninha: “Homo homini lupus”. Uma coisa bem sintética. A consideração está na base do pensamento de Thomas Hobbes. Mas eu estou aqui a rever o latinório. Proponho outra: “Lupus lupi lupus”. Que tal? Tradução: “O Lobo é o Lobo do Lobo”. Isso quer dizer que é uma questão de natureza. Seria uma outra maneira de dizer o que vai sintetizado em outro provérbio: “Lupus pilum mutat, non mentem”: “O lobo muda o pêlo, mas não a índole”.

Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Resenha: O Lobo


Sinopse - O Lobo - Joseph Smith

"Sou o lobo, o ceifador de vidas: o predador. Ataco de olhos abertos e vejo a morte luminosa e feroz pular no olhar da minha presa. Sou o lobo, a sombra que traz a luz da morte, a vida que concede a liberdade aos rebanhos temerosos e lutadores e que põe fim ao sofrimento dos fracos."

Com um texto ágil, cinematográfico, Joseph Smith recria os momentos trágicos de um lobo e a sua desesperada procura por alimento, em meio a um inverno rigoroso que assola a floresta onde ele vive. Fraco, sentindo que o auge de suas forças talvez já tenha passado, não lhe resta mais nada a não ser sacrificar suas antigas seguranças em busca de uma salvação. O lobo é uma fábula moderna, uma surpreendente parábola sobre a sobrevivência e a superação.


Resenha:

Joseph Smith traz uma narrativa bela e sem falas a uma fabula “O Lobo” a onde o animal infrenta um inverno rigoso, um lobo solitario já esta velho, já viveu muito e sabe como lidar com as criaturas que vao aparecendo no seu caminho, e começa a perceber que a natureza é forte como ele também já foi em tantas caçadas e que ainda sim tem coisas que ele não viu.

As vezes falta aquele toque animalesco ao livro, mas não conheço livro melhor para mostrar-lhes um Lobo, meu predador favorito. O tom poético da caçada solitaria do Lobo é perfeita de mais e faz com que eu queria ler cada vez mais.
Recomendo o livro a todos os leitores do Arcanjo Lycan :3

Arcanjo Lycan - Recomeço!

Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.
Miguel Torga

Nova fase na vida do Arcanjo Lycan (do ser Arcanjo Lycan, não do Blog, só pra constar...)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Noite de Lua Cheia

Noite de lua cheia
Até os lobos se recolhem
As arvores fingem dormir
E as flores  são arrancadas com promessas
Os lobos andam em matilhas
O vento chora e os faz uivar
Carregam o lamento triste
Dos olhos que veem o sobrenatural
Noite de lua cheia
Lobisomens são os demônios das trevas
Mulas sem cabeça de folclores
O saci perere procura seu gorro
Com o cachimbo na boca
Noites de Lua cheia
A fogueira na mata acesa
Bolas de fogo que passeiam
Param, são pedras que se abrem
O sobrenatural sem explicação
Um casal de dentro sai vestidos de luz branca
Ha uma escuridão tão grande
Trocam olhares...brincam
Passseiam  com unicórnios
Noite de lua cheia
O saci só quer aprontar
Trança as crinas dos cavalos
Os solta dos estábulos
As estrelas ja estão indo embora
Saci ja fez sua arte
A pedra recebe o casal
Bolas de fogo somem
Quem sabe o que aconteceu
Apenas ilusões
Na utopia da noite
Da criação, dos sonhos
Noite de lua cheia
Apenas lobos apaixonados
Pela lua que tudo ilumina
A conversa que o humano não entende


Rosalina Herai

Somos Lupinos...

É dos corações Lupinos que surge esse pesado uivo
E são dos corpos Lupinos que assim se mortificam?
Lupinas são as patas que abençoam,
E Lupinos esses ferimentos, essas quedas e esses vacilos,
Esses incertos zumbidos?
Essas vozes, esses Aves, esses gritos?
Esses êxtases celestes, esses falsos arrebatamentos,
- É ainda Lupino?
Reflitam! Estão ainda às portas,
Pois o que ouvem, é sim Lupino,
A verdade Lupina, sem palavras!

Texto adaptado, autoria desconhecida

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ai a Lua... Cheia!

Lua essa, manhosa...
que me provoca desejos
não apenas quando se encontra cheia
e no meio dos lamentos,
lágrimas e confissões
também tem tempo para grandes paixões.

Então chamo por ti
já com plano traçado,
vou vestida de seda, sapato vermelho
e aquele bom vinho
por ti ofertado.
E não é que não me acanho
nem por engano!?

apenas tudo, por esta Sede
que te Tenho.

Autoria de BerloquesImaginários

O Lobisomem

No meu tempo de criança,
Quando um bebê chorava,
Acho que só por vingança
Quem ao pobre acalentava,
Amedrontava o coitado,
Que terminava engasgado
Com os sustos que tomava.

A cantiga de ninar
Era uma coisa maluca
Era o Boi da cara preta
Era o Saci, era a Cuca,
Se o bebê não se calasse,
E bem mais alto gritasse,
Levava um croque na nuca.

Era tanto terrorismo
Que dava pra arrepiar,
Tinha um tal de Papafigo
Que o fígado vinha roubar
E a danada da chupeta,
Mesmo fazendo careta,
O bebê tinha que enfrentar.

Mas eu quero falar aqui
Sobre um bicho esquisito,
Lobisomem, por sinal,
Um lobo meio maldito
Que em noites de lua cheia,
Amedrontava a aldeia
Correndo e soltando grito.

Pelo jeito ele adorava
Causar medo àquele povo,
Era grande a choradeira,
Lobisomem era um estorvo!
Quando a pessoa caía,
Ele esganava e comia
E ia caçar de novo.

Gostava de amedrontar
As mulheres da cidade,
Velha, nova, todo tipo,
Não escolhia a idade
Onde tivesse mulher,
Num escurinho qualquer,
Ele ficava à vontade.

Se era mentira ou verdade,
O destino estava escrito:
Era um duende? Um bruxo?
Um chupa cabra? Um cabrito?
Se alguém o encontrasse
E em sua frente passasse,
Santo Deus! Estava frito!

No entanto, certo dia,
Um lobisomem diferente,
Começou a aparecer
E amedrontar toda a gente,
Mas Mariquinha gostava,
Até os olhos revirava,
Saltitando de contente.

Era um bicho de porte
Não muito avantajado,
O uivo era um sussurro,
E o pelo era penteado,
Dava até para enfrentar,
Era só não se importar,
Em sair meio arranhado.

Começou na redondeza
Uma enorme falação,
O lobisomem exótico
Causava admiração,
Ele arranhava o pescoço,
Fazia um grande alvoroço,
Porém não matava, não!

A notícia se espalhou
Para as cidades vizinhas,
Passava de boca em boca
Para todas as mocinhas,
Se uma delas duvidava,
A outra logo gritava:
- Pergunte a Mariquinha.

O prefeito já com medo
De perder a eleição,
Mandou logo um ofício,
Parecendo intimação,
Para que o destacamento
Da polícia, no momento,
Fizesse a apuração.

E mandou mais um recado:
Amigo, por caridade,
Quero força disponível,
Polícia de qualidade !
Se for insuficiente,
Peça ajuda ao tenente,
Vá buscar noutra cidade.

O tenente ficou doido
E entendeu que o perigo,
Que rondava a sua vida
Era pior que papafigo,
E disse: - Vou resolver
Para não acontecer
Uma coisa dessas comigo.

Correu e foi para casa
Para ver se conseguia,
A sua mulher guardar
Daquela grande agonia,
Mas ela ali não estava
E todo mundo comentava
A sua estranha alegria.

E a moçada foi ficando
Cada vez mais ouriçada,
Em noite de lua cheia
Por toda a madrugada,
Ouvia-se um alarido,
Era o bicho enxerido,
Dentro da mata fechada.

Os soldados procuravam,
Revirando a cidade,
Porém não logravam êxito
Porque, a bem da verdade,
O bicho não aparecia,
Parece que se escondia
E mordia sem piedade.

No sitio de seu José
Havia um belo riacho
O povo tomava banho,
E nadava de rio abaixo,
O danado do animal
Ali fez o seu curral,
Veja só o esculacho:

Quando a noite chegava
Era a mais pura alegria,
A moçada ia pro banho
Danava-se na água fria,
Se o lobisomem pegava,
Aquela ele só soltava
Na manhã do outro dia.

Seu José tinha um pássaro
Que vivia engaiolado
Era belo e cantador
E muito infeliz - coitado!
Já que estava na prisão,
Se alguém pusesse a mão,
Sairia beliscado.

Era o pássaro azulão,
Que não teve muita sorte
E foi preso no Nordeste
Ou lá pras bandas do Norte,
De um bico venenoso,
Deixava o corpo reimoso,
Chegava a provocar morte.

Acontece que Mariquinha
Pra disfarçar a noitada,
Botava a mão na gaiola
E saia bem beliscada,
Depois corria pro rio,
Sentia até calafrio,
Voltava de lá curada.

Se por acaso alguém via
A cara dela riscada,
E perguntava o que foi
Ela dizia animada:
- O azulão de seu José!
Fui lhe fazer cafuné,
Saí assim arranhada.

Passada a lua cheia,
Já na fase da minguante,
O lobisomem arribou
Da cidade e, num instante,
O povo logo entendeu,
Que o que ali sucedeu,
Era um tanto intrigante.

As meninas foram ficando
Parecidas com um balão,
Cheinhas de cima a baixo
E sem maior explicação,
Se os vizinhos perguntavam,
A culpa elas colocavam,
No bico do azulão!

E o tenente, coitado,
Ficou tonto de emoção,
Quando encontrou a mulher
Que nem prestou atenção,
Que a sua bem - amada,
Tinha sido beliscada
Pelo famoso azulão.

E o tempo foi passando
Depressa naquela aldeia...
Ao completar nove meses,
Após nove luas cheias,
Os comentários surgiram,
Então todos descobriram,
Que as coisas estavam feias.

Não sirvo pra testemunha
Pois eu não sou fofoqueira,
Mas sabe a derradeira
Que escutei pelos caminhos?
"Pelos cálculos da parteira,
Nasceram da brincadeira,
Mais de noventa lobinhos!

Maria do Socorro Domingos dos Santos Silva
João Pessoa, 15/12/2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Lobos com Asas - Arcanjos Lycans #02





Novo Homem

Entre as tantas  agonias nasceste, homem novo
Rompendo frágil a casca deste ovo
Rasgando a película que envolve  sua existência,
Uma capa de demência e de medo
Quebra a crosta da ignorância...

Seus gemidos de dores ecoam sobre os oceanos
" Senhor, Senhor, há dois mil anos lhe enviei meu grito!"
Paira sobre a escuridão do infinito
O clamor, o choro do novo homem sem berço
Chega aos ouvidos da louca insana que o pariu
Que profana anda de mãos dadas com o FMI

Tateando, cego, busca as tetas da mama África
Que o acolhe no negro peito escravo
Mesmo ante o apartheid
E geme também suas fraquezas em antigas "Vozes d'África"
Homem novo  sai do ovo e desde pequeno, aprende a puxar o fuzil
Faz guerra e mancha a terra de ignóbil sangue vil,
Se joga nos braços do povo na ilusão democrata...

Quem assistiria ao espetáculo do nascimento dessa última quimera?
Do velho homem que já era
Escondido dentro da fera que sai do ovo, homem novo
Lobo do Homem Lobo
Primitivo homem das cavernas
Travestido de novo homem nesta nova terra
Pós guerra...



Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Lobo



O olhar de um lobo possui a grandeza e amplitude do universo, a magia do encanto ancestral, a comunhão com o mistério e segredos da vida. No uivo de um lobo, o universo canta. Em seu caminhar, o universo dança e por seus olhos, ele se contempla...

Autoria Desconhecida.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Você e a Lua


Seu cheiro ficou aqui comigo. Seu olhar apaixonado, também. Depois que você saiu, dormi um pouco, cheia do seu amor. E fui pra janela. Lá estava ela, de novo, a linda Lua Crescente, iluminando o começo da noite paulistana. Toquei meu corpo, lembrando do seu toque. A Lua clareia o meu olhar, como suas mãos inundam a minha vida. Entra em meu corpo, me leva ao céu. Não posso imaginar mais viver sem você. Você é a Lua da minha noite, seu desejo por mim me faz acreditar que a felicidade é possível, quando estou em seus braços. Só quero que isso se repita muitas e muitas vezes, sempre ouvindo você dizer meu nome, sob a luz da Lua. Isso é desejo, é paixão, é amor. 

Autoria.: Scarlett Ohara – São Paulo - SP 

Mais um belo texto que ofereço à minha linda Little B'

Lobisomem - Um Tratado Sobre Casos de Licantropia

Não vivemos mais nas brumosas florestas de outrora, nem nossa casa é mais as profundas cavernas da Mãe-Terra. Vivemos enclausurados, prisioneiros de nossas criações: As Cidades. Mas nem por isso deixamos de nos abismar com o selvagem, o primitivo e o brutal. Por que com toda essa tecnologia, tantos avanços, mapeamentos genéticos, não nos livramos dos crimes bestiais, da violência e das mortes? A resposta talvez esteja em nós mesmos. A Fera hoje em dia usa roupas, mas nem por isso deixou de ser um monstro.

Neste livro, Lobisomem, de Sabine Baring-Gould, são tratados inúmeros casos de Licantropia, bem como sua distribuição geográfica. O autor coletou inúmeras histórias sobre essa fera mitológica. Algumas delas podem deixar o leitor estarrecido devido à sua ferocidade. O Lobisomem entre os nórdicos, na Grécia, na Roma antiga, durante a Idade Média, casos de Serial-Killers associados à Licantropia nesta obra são apresentados. Esta leitura talvez não seja um passatempo, mas com certeza será apaixonante.

Autor: Sabine Baring 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O Lobo e a Lua

O lobo nunca olhava para a lua, não precisava.

Sentia um comichão leve no focinho quando a lua estava cheia, e sabia que era hora de uivar aos espíritos do vento e da caça.

Por isso nunca precisava de observar o céu...

E quando erguia a cabeça para iniciar a sua oração canina, encerrava sempre os olhos, porque só assim conseguia gritar até ao mais alto agudo, sentindo a vibração da sua voz em cada pêlo do seu corpo.

Mas um dia, num momento de desconcentração, o lobo ergueu a cabeça de olhos bem abertos e a luz lunar derramou-se na sua visão, como uma cascata de prata líquida.

Durante minutos observou aquela visão desconhecida, num misto de espanto e adoração.

Nunca antes, nas suas noites de oração, se tinha apercebido da beleza da noite banhada de luar...

E ali ficou até o nascer do sol, extasiado com a forma, brilho e graça da lua, enquanto ao longe ouvia os outros lobos completarem o seu ritual, uivando alto na esperança de que os espíritos lhes abençoassem a caçada.

Com o passar do tempo a lua completou outro ciclo: encolheu-se até à lua nova, e alimentou-se de luz fresca para se tornar de novo cheia.

Mais uma vez, os lobos uniram-se em uivos distantes, latindo em uníssono a oração dos seus instintos.

Mas mais uma vez faltou o uivo agudo do lobo, e o vento soprou furioso, agitando as folhagens que em sussurros perversos espalharam pela floresta a notícia do lobo que deixara de uivar...

No ciclo seguinte, as noites tornaram-se mais frias e agitadas, sempre marcadas pela presença enlouquecida do vento.

Os seus sopros violentos atiravam passarinhos para fora dos ninhos, arrastavam coelhos e veados pelo chão, vergavam árvores anciãs...

Pouco a pouco, os animais foram fugindo da floresta, longe daquela flora desfigurada que já não constituía um abrigo...

E os lobos rosnavam baixinho enquanto dormiam, sonhando com as presas refugiadas no território de outras alcateias.

Uma noite antes da lua cheia seguinte, o vento soprou mais forte e determinado, arrancando do chão as raízes pesadas dos sobreiros que sinalizavam o refúgio dos lobos.

Os seus silvos assemelhavam-se ao uivar louco de um lobo velho, rebentando o peito no seu latido, como que a convocar a alcateia.

E assim, pouco a pouco, os lobos foram saindo do seu refúgio, uivando tristemente para uma lua precoce, quase cheia...

E no meio do seu choro cantaram o nome do lobo, aquele que deixara de adorar o vento e a caça, que se calara e condenara toda a floresta ao abandono.

Pela primeira vez naquele ciclo, o lobo distraiu-se na contemplação lunar, e ouviu próximos os lamentos da sua raça.

E nesse instante relembrou o seu instinto, voltou a sentir aquele comichão no focinho, aquela urgência de soltar na noite o seu grito agudo.

E uivou mais alto e mais claro do que nunca, deixando o seu latido cortar o céu, e atravessar a floresta e as montanhas até chegar aos ouvidos dos animais emigrados...

O vento por fim abrandou, e os latidos dos lobos apagaram-se com ele...

E o lobo ganiu baixinho, num lamento de tristeza e culpa pelo destino dos seus irmãos.

Caminhou lentamente pela floresta, magro e cansado, e olhou uma última vez a lua, pela qual se apaixonou assim que a viu, ao ignorar o seu instinto.

Ali caiu e ali morreu...

Na noite seguinte o vento soprou baixinho, acompanhando o uivar fúnebre da alcateia...

(Susana Castilho)