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segunda-feira, 12 de março de 2012

Estrada

Eu, carregada de agonia
Nesse caminho do mundo
Por vezes, caio. Levanto!
Esse é o destino, a história
Do ser habitante profundo

Homem lobo que não sabe
Se é homem ou se fera é
Só sabe que caminha só
Sem a discreta companhia
De tímida alma sequer
Esfola os joelhos no pó

Mas, se na estrada houver
Algum atalho mais regular
(Caminho de pedras faz dano
Mas não é possível escapar
)
Melhor é, nem pestanejar
E logo fugir do vil engano

A terra é mesmo acidentada
O solo traz seculares marcas
Só não lhe conhece os grãos
Mãos que lhe recusam toque
Pés que lhe recusam pisadas

Sônia Arruda

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ai a Lua... Cheia!

Lua essa, manhosa...
que me provoca desejos
não apenas quando se encontra cheia
e no meio dos lamentos,
lágrimas e confissões
também tem tempo para grandes paixões.

Então chamo por ti
já com plano traçado,
vou vestida de seda, sapato vermelho
e aquele bom vinho
por ti ofertado.
E não é que não me acanho
nem por engano!?

apenas tudo, por esta Sede
que te Tenho.

Autoria de BerloquesImaginários

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sexta-Feira 13

Sexta-Feira 13 pra mim é um ótimo dia, até porque amanhã é Sábado kkkkk'.


"Sexta-Feira Treze"


Entre seu olhar triste e a noite
Ainda há um medo
Que algo de ruim possa acontecer.
Nos seus Lábios há uma incerteza
Do que possa te convencer.


Nessa noite você é alguém
Querendo correr o risco.
Nesse tempo você é alguém
Que tenta consagrar seu Coração.


Se seus olhos pudessem planger
Em vez de secar
Como os meus sentimentos.
Se seu rosto pudesse sentir
O orvalho como a campina
Que floresce na sombra de um sonho.

Há uma rosa negra no seu olhar
Que seduz um sentimento eterno.


Autoria Desconhecida

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Lupina


Em trevas, passo por um corredor
Barrocas formas, à luz d'umas tochas
Acinzentados o piso e paredes
Persigo à noite alguma Fera horrenda

A forte besta com pelos de prata
Trazendo olhos verdes amarelados
Um par de garras à Lua brilhantes
Sigo essa besta por um corredor

Rua, castelo antigo, uma caverna
Não sei por onde corro, não importa
Vejo uma luz no fim desse caminho

A luz que vejo é o nascer do Sol
No fim do corredor que não tem fim
Apenas há uma Bela Mulher

Autoria de Cárlisson Galdino


*********************************************

Aposto que essa Bela Mulher não era tão Bela quanto a minha humana mais Linda que existe no Universo! Minha Belíssima Bárbara... O nome já diz... Bárbara! Muito Bárbara!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Irmão Lobo - Cantiga Franciscana


“Irmão Vento, Irmão Sol, Irmã Lua,
Irmão Lobo tu és meu Irmão.
Rouxinol, Sabiá, Criaturas de Deus,
Somos obras de suas mãos.”


Padre Zezinho
Trecho de Cantiga Por Francisco


Nem sou religioso (nenhum pouco), mas sinceramente, gosto bastante desta música. Passei minha infância ouvindo a Mãe cantá-la enquanto fazia os afazeres de casa e... Cá está! Espero que aqueles leitores mais curiosos e que tiverem um tempinho extra procurem escutá-la toda.

sábado, 19 de novembro de 2011

Poemas - Álvares de Azevedo


Lembrança de Morrer

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento caminheiro...
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro...

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia,
Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade — e dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
E de ti, ó minha mãe! pobre coitada
Que por minhas tristezas te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos, — bem poucos! e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei!... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Ó tu, que à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se vivi... foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu! eu vou amar contigo!


Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz! e escrevam nela:
— Foi poeta, sonhou e amou na vida. —



Sombras do vale, noites da montanha,
Que minh’alma cantou e amava tanto,
Protejei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe um canto!



Mas quando preludia ave d’aurora
E quando, à meia-noite, o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri as ramas...
Deixai a Lua pratear-me a lousa!


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Soneto do Anjo

Pálida, à luz da lâmpada sombria, 
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a Lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!


Era a virgem do mar! Na escuma fria
Pela maré das águas embalada...
- Era um Anjo entre nuvens d'alvorada,
Que em sonhos se banhava e se esquecia!



Era mais Bela! o seio palpitando...
Negros olhos, as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...



Não te rias de mim, meu Anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!



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Ps¹.: Hoje acordei assim, ultra romântico, bem... Algo me diz que a Bárbara vai gostar bastante disso, tal como os poemas sempre são oferecidos à ela!  Te amo Pequena... E hoje o Lobo aqui tá mais apaixonado do que nunca!

Ps².: Simplesmente achei essa imagem fantástica e quis compartilhar com os Leitores do Arcanjo Lycan, ainda mais num post que eu gostei tanto!

Arcanjo Lycan

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Lobo Faminto



Como um Lobo faminto eu te espero
e te guardo dentro de mim em adoração,
mas, se você se atrasa, o desespero
vem e me amarra nas Garras da solidão.

Depois, quando o seu sorriso aparece
e se ilumina, eu conheço outra dimensão,
no meu corpo o desejo doce resplandece,
me lançando hirto nas chamas da Paixão

Nossas bocas sequiosas se colam no ecrã,
nossos lábios se roçam lânguidos e febris,
e, sem pensar no passado ou no amanhã

Tornam este momento inesquecível e feliz,
porque a vida, se pondo em pés de lã,
da Felicidade no coração planta a raiz...

Autoria: Desconhecida

Bem, acho que esse aqui vai ser um post que tu vai curtir, Amor... Te amo!
Beijos minha menina, Bárbara Dezidério!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Mistérios da Meia-Noite – Zé Ramalho


Mistérios da Meia-Noite
Que voam longe
Que você nunca
Não sabe nunca
Se vão se ficam
Quem vai quem foi...

Impérios de um Lobisomem
Que fosse um Homem
De uma menina tão desgarrada
Desamparada se apaixonou...

Naquele mesmo tempo
No mesmo povoado se entregou
Ao seu amor porque?
Não quis ficar como os beatos
Nem mesmo entre Deus
Ou o Capeta
Que viveu na feira...

Mistérios da Meia-Noite
Que voam longe
Que você nunca
Não sabe nunca
Se vão se ficam
Quem vai quem foi...

Impérios de um Lobisomem
Que fosse um Homem
De uma menina tão desgarrada
Desamparada, seu Professor...

Divulgação: Zé Ramalho
Sou fã pra caramba desse cara! Ele tem músicas que eu só posso dizer que são mais do que uma Obra de Arte, elas são... Psicodélicas, escute atentamente as músicas deste homem e repare em cada trecho da letra e verá que tem muito mais do que uma simples história sendo contada. Aconselho que ouçam "Chão de Giz", "Avôhai!" e "Vila do Sossêgo", elas são as minhas preferidas.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Vida de cachorro – Rita Lee


Vamos embora companheiro, vamos
Eles estão por fora do que eu sinto por você


 Me dê sua pata peluda, vamos passear
Sentindo o cheiro da rua


Me lamba o rosto, meu Querido, lamba
E diga que também você me ama


 Eu quero ver seu rabo abanando
Vamos ficar sem coleira


 Vamos ter cinco lindos Cachorrinhos
Até que a morte nos separe, meu Amor!

Postado por Bárbara Dezidério

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Todo Mundo é Lobo por Dentro (Petulante) - Oswaldo Montenegro


Todo mundo é Lobo por dentro
Ninguém é Lobo mau (pra sempre)
Tem gente que nasce Lobo?
Responda você!

Você me disse que eu sou Petulante, né?
Acho que sou sim, viu?
Como a água que desce a cachoeira
E não pergunta se pode passar.
Você me disse que meu olho é duro como faca,
Acho que é sim, viu?
Como é duro o tronco da mangueira
Onde você precisa se encostar.
Você me disse que eu destruo sempre
A sua mais romântica ilusão
E que destruo sempre com minha palavra
O que me incomodou.
Acho que é sim,
Como fere e faz barulho o Bicho que se machucou, viu?
Como fere e faz barulho o Bicho que se machucou, viu?

Todo mundo é Louco por dentro
Já viu alguém normal
Pra sempre?
Tem gente que nasce Louca?
Responda você!


***********************************


Curti demais a letra da música, a propósito, eu prefiro muito mais continuar sendo Lobo, Petulante e Louco do que ser um ser normal nesse mundo!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Solitário


Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos contorta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
-- Velho caixão a carregar destroços --

Levando apenas na tumba carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

Augusto dos Anjos

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Lobos


Os lobos caminham em procissão
Pelas ruas da cidade vagam
Como sombras inatas
É uma multidão de nadas
São apenas Lobos
Lobos de gente
Lobos sem alma
Lobos carentes.

Autoria de João Batista Lago
Lambido
do Blog Verberante Poesia

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Os Lobos... Esses homens


Os Lobos não morrem jamais...
Porque a alcatéia ama
E o mundo desanda e anda
Dizendo-se eterno.

Os Lobos amordaçam a vida,
São tiranos queridos que zombam,
Nascem, crescem, cantam,
Mas não aprendem a amar.

Os Lobos são maiores que os homens,
Esses outros que se autoconsomem
Que da vida não passam de um tombo
E assim os Lobos não morrem jamais,
Apenas viram homens.


Paulino Vergetti 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Não Foram os Lobos!



Quem lançou a bomba atômica
Ou criou a Fogueira Santa... 
Não foram os Lobos!

Não foram os Lobos
Que criaram Vietnã do Norte e do Sul
E iluminaram com mísseis o céu azul!
Quem inventou a metralhadora
E testou armas químicas...
Não foram os Lobos!

Não foram os Lobos! 
Que alteraram a natureza 
Em busca do lucro e de sua colheita. 

Quem pisou a Lua com suas botas 
E o amor pendurou em bancas de revistas... 
Não foram os Lobos!

Não foram os Lobos!  
Que comeram criancinhas 
Ou planejaram esta orgia econômica.
Vê, não somos culpados
Por deixar o Homem matar o seu próximo 
Enquanto nós morremos de fome!!!


Autoria: Loba Urbana 

Nota do Arcanjo: Só pra fixar, nossa fome, não é a de carne, é uma fome quase que sentimental, uma falta de reconhecimento. Nossa fome é uma carência, sentimos a falta de que olhem pra nós e nos reconheçam, não é falta de que sintam medo, mas é necessidade de respeito! E buscamos esse respeito de todas as formas... Eu pelo menos encontro respeito aqui, no Blog, mas muitos ainda vivem por aí nessa busca eterna. O pior é saber que essa "fome" só tende a piorar... A tendência é morrer de fome... Um bom conselho é que procurem uma boca que os alimentem, como eu achei a minha. Minha pequenina Anjinha! 

Lobos...


Lobos? São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua
Aquietá-los.

Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.

Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.
E tu mesmo, raro.
Se nas coisas que digo
Acreditares.

Autoria: Hilda Hilst

(Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) - Poemas aos Homens do nosso Tempo - VIII)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Late Ilusão


Em noite de Lua Cheia
Geme ao meu lado o meu Cão
Acabado de chegar
Late ilusões ao meu ouvido
E meu sentido,
Diz que ele veio pra ficar.
Mas a vida passa e vira
Páginas da folhinha,
O que era Cheia e domingo
Foi minguando em segundas e terças
E meu Homem, minha Besta,
Voltou novo e repetido,
Como se fosse ficar até sexta,
Três dias de ele chegando de madrugada,
Três dias de ele nadando na minha água,
Conversas de homem e mulher,
Beijo na boca,
Tirar a roupa,
Novos latidos de ilusão no meu duvido.
Meu Homem partiu na derradeira manhã
Todo agradecido
Dos momentos de amor que uivou comigo
Eu fiquei Lua sozinha no céu com aquela saudade amarela
E ele na Terra, cantando... latindo... partindo...
Uivando pra ela.

Composição: Elisa Lucinda

Nota do Arcanjo: Procurando um belo poema pra postar no Blog, me deparei com essa letra de música, li só por cima, achei interessante, pensei que fosse um poema, procurei mais um pouco na net e vi que era realmente uma música, não cheguei nem a ouvir a melodia, mas realmente adorei a letra! Selo de aprovação do Arcanjo Lycan!

Ps.: Esse “Cão” aqui agradece todo dia a Lua que tem! Nada de latidos de ilusão... Cantar, latir e uivar... Só pra mesma Lua Bárbara, todos os dias e noites! Lambidas especiais pra minha Lua! 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Instinto Selvagem


Sinto a luz do luar
Meu corpo começa a queimar
Não vejo mais nada
Apenas aquela luz pálida

Sinto meu corpo se redobrar
Parece que essa dor nunca ira terminar
Meu coração começa a ferver
Começo a sentir que nada devo temer

Depois de tanto sacrifício
Veio o inesperado
Ainda não havia terminado

Olho a lua mais uma vez
Tenho a sensação que não mais morrerei

Selvagem eu fui
Selvagem eu serei
Sobre a luz da lua eu me libertei.
Autoria: Rodrigo Dias

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Poema a Lua



Lua que testemunhas tantas alegrias e tristezas 
Tantos sonhos realizados, outros desfeitos 
Lua, que estás tão longe e ao mesmo tempo tão perto de nós 
Que nos causa tantas felicidades e seus efeitos. 

Lua, criação que nos foi oferecida pelo Senhor
Para nos acompanhar, e ao nosso lado caminhar 
Bastando para ti olhar, à tua magnitude nos atermos 
Para concluir, quão tamanha tua grandeza. 

Lua, belas inspirações nos ensejas 
És poema aos namorados que ao te olharem versejam 
Lua, que estás aí pertinho de DEUS 
Diz-me, onde estão os meus que partiram? 

Que foram para tão longe de mim, transcederam 
Será, oh! linda lua que deles também és testemunha? 
No infinito onde te encontras, onde Deus te colocou 
Sabiamente, esse mistério só pertence a Ele, e quem sabe a ti! 

Soberana Lua... 
A realidade perceptível é só uma : musa inspiradora 
Continuas a ser a mais bela dos enamorados 
E daqueles que com sabedoria a ti direcionam os olhares.
 



Autoria: Mercêdes Pordeus 

Nota do Arcanjo: Aos amantes da Lua o texto acima vai representar bem mais do que simples poesia, é quase como um canto em adoração à uma Deusa que vive lá no alto e que nos observa e cuida para que nada de ruim nos aconteça.

Ave Deusa Luna!

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

                   Autoria: Cecília Meireles 

Nota do Arcanjo: Esse poema de Cecília Meireles vale tanto para lupinos como para humanos... a propósito, todos passamos por fases.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Soneto da Lua


 Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas, e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros ? 

Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros? 

Fugaz, com que direito tens-me pressa
A alma, que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa: 

E és tão pouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética e indefesa
Ó minha branca e pequenina Lua!



Autoria: Vinicius de Moraes

Nota do Arcanjo: Minha caçada por bons poemas é sem fim, nas minhas buscas diárias me deparei com essa beleza de soneto de meu grande amigo Vinícius de Moraes! Realmente espero que gostei tanto quanto eu gostei!

Ps.: " ... E não és Tatiana e nem Teresa: ... "

... Pra mim... é Bárbara!