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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Conto - Medicina Licantrópica


Um médico famoso por conhecer casos de licantropia foi chamado para uma pequena cidade interiorana do nordeste. A família estava desesperada, o filho mais novo estava apresentando um comportamento um tanto animalesco, atacava as criações de cabra da família e toda a manhã era visto saindo de dentro do galinheiro, devorava as aves durante a noite.

A família apelou para as rezadeiras da região, chegaram a falar com o padre que rezava as missas dominicais a fim de tentarem trazer um daqueles padres exorcistas do estrangeiro. Tudo para tentar salvar a alma da criança.

O médico pegou um vôo e logo foi ver o menino. Chegando a localidade, chamou-o para conversar e após isso, observou bem as atitudes do jovem, que durante o dia, era um garoto normal de sete anos de idade.

- Senhora – disse o médico – Esse menino é seu filho mesmo?

- É sim senhor, na verdade... Nós o adotamos, a mãe largou o menino ali na encruzilhada perto da igreja.

O doutor sorriu, coçou o canto da cabeça e respondeu:

- Seu filho é normal senhora, absolutamente normal para esta idade.

- Normal?! – retrucou a mulher indignada – Meu senhor... Eu criei seis crianças antes desse aqui e não tive problema com nenhuma dessas criaturas e o senhor vem...

- Calma senhora – o médico interrompeu – Acalme-se, por favor. Para a espécie dele, isso é totalmente normal.

- Então quer dizer que isso não tem cura?

- A cura que vocês querem só é completa quando o paciente morre.


Gabriel “Arcanjo Lycan” D’Amorim

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Licantropia Espiritual



E lançar-se-ão da companhia dos homens, e a tua habitação será como as alimárias e feras; comerás feno como boi. E sete tempos passarão por cima de ti, até que reconheças que o Excelso tem um poder absoluto sobre o reino dos homens, e que os dá a quem lhe apraz.

Daniel, 4:29

Aos hospitais  e consultórios  psiquiátricos  acorrem muitos casos de licantropia. Tivemos ocasião de observá-los sob vários aspectos. Dentre eles, descreveremos um ilustra  o processo obsessivo: o de um paciente licântropo que se julgava um cachorro.

O licântropo crê ser um lobo; e por extensão qualquer outro animal, e mesmo um insento ou uma planta.

Um dos mais antigos exemplos é-nos narrado pela Bíblia; o episódio de Nabucodonosor: “... durante sete anos foi atacado por uma loucura extraordinária que o fez viver entre os animais e como eles”. (Daniel – 4: 1-34).

Apesar de aparentar grande complexidade, o processo é muito simples: é uma aplicação do hipnotismo diretamente ao Espírito a ser obsedado. Durante o sono, quando o Espírito  se desprende parcialmente do corpo carnal, o obsessor aproveita para ministrar-lhe passes hipnóticos, sugerindo-lhe ser isto ou aquilo. E o paciente, acordado, passa a viver esquisitamente; e à medida que o obsessor reforça a sugestão, mais e mais aumentam as esquisitices.

Era um paciente que se internou como um cachorro, e procedia como tal: rosnava, latia, andava de joelhos e apoiado nas mãos como se tivesse quatro patas,  e que alguém invisível o puxasse por uma corrente; sentava-se a um canto, farejava e ameaçava atacar quem dele se  aproximasse; enfim, era um perfeito cachorro em forma de gente.

Levado ao trabalho de desobsessão, apresentou-se um Espírito por meio de Da. Elba, que foi declarando:

- Esse cachorro é meu; tratou-me como um cão; agora é minha vez; eu é quem trato dele.

E ali mesmo deu  algumas ordens ao pseudo cachorro, no que foi obedecido servilmente.

A enfermagem espiritual foi longa e árdua. Inteligente  e maligno, o obsessor compareceu a inúmeras sessões. Só depois que  se rendeu à evidência é que pudemos fazer a desipnotização do paciente, no que fomos auxiliados por seu ex-verdugo.

(...)

Todavia, a cura total da licantropia só é possível quando a atuação do obsessor for recente, cingindo-se ainda ao perispírito da vítima. Porém, se a atuação for velha e já atingiu o âmago do cérebro, a cura se torna dificílima; nesse caso, pode haver cura, mas sempre parcial, nunca total.

Evangelho das Recordações, por Eliseu Rigonatti – página 95-96
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